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| Bodo no Coentral 2011 |
Realizou-se no passado dia 22 de Janeiro, no Coentral, a tradicional Festa do Bodo, em honra do Mártir São Sebastião.
O mordomo deste ano foi João Simões Nunes, do Coentral das Barreira.
O muito frio que se fazia sentir não afastaram os coentralenses das solenidades, embora este ano em menor número, ao que não será indiferente a realização de eleições presidenciais no dia seguinte, o que terá desmotivado muita gente a deslocar-se neste fim-de-semana ao Coentral.
Muitos Bodos por todo o lado
Em Portugal a cerimónia do Bodo terá sido introduzida no séc. XIII pela Rainha Santa Isabel, particular devota do Espírito Santo, a cujas festividades aparece inicialmente ligada a cerimónia do Bodo.
Reza a tradição que a primeira cerimónia deste culto se realizou na Sé de Coimbra e que dela constou a coroação simbólica de um mendigo, seguida da distribuição de alimentos aos pobres, ou seja, do Bodo. As Festas ao Divino Espírito Santo têm a sua essência na fraternidade e igualdade entre todos. E o Bodo reproduz exactamente isto: O Bodo é a distribuição de comida.
Do continente a tradição alargou-se às ilhas, nomeadamente aos Açores, onde hoje em dia as Festas do Espírito Santo se celebram em várias ilhas. Do arquipélago saíram colonos para todos os cantos do Império, e mais tarde, emigrantes para a América do Norte, levando consigo a tradição da devoção ao Espírito Santo e do Bodo. Hoje em dia, onde há comunidades açorianas, seja no Canadá ou Estados Unidos, continua-se a festejar o Espírito Santo e a distribuir o Bodo.
No Brasil encontram-se Festas do Divino Espírito Santo, em vários estados, como Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Goiás, onde o Bodo continua a aparecer associado.
No nosso país o Bodo aparece principalmente ligado às festividades do Espírito Santo, sendo particularmente conhecida a dos Tabuleiros, em Tomar, mas também em muitas outras localidades onde esta devoção se festeja, seja na aldeia de Azinhaga, considerada a aldeia mais típica do Ribatejo, no concelho da Golegã, terra Natal de José Saramago, ou no Espírito Santo, em Soure, ou na Batalha.
O Bodo aparece também em outras datas. Em Pombal a tradição é cumprida em Julho, e assinala o Milagre do Bodo, atribuído a Nossa Senhora de Jerusalém, depois designada por Nossa Senhora do Cardal que salvou a região de uma praga de gafanhotos e lagartas. O milagre ocorreu no último domingo de Julho, e desde então é celebrada a Festa do Bodo. Em várias localidades da região de Castelo Branco, como Monfortinho ou Salvaterra do Extremo, o Bodo aparece ligado às celebrações de Nossa Senhora da Consolação, após a Páscoa.
Curiosamente, ligados ao culto de São Sebastião, apenas encontrámos na nossa pesquisa os Bodos do Coentral em Janeiro, e o que se realizava em Pera, inicialmente também em Janeiro, depois transferido para o Verão.

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Editorial - O triste Fado do Ramal da Lousã
O homem chegou a casa, feliz da vida, pegou na marreta e começou a partir o velho tanque de cimento.
A mulher, que estava na cozinha a adiantar a janta, acudiu ao barulho, e de mãos na cabeça gritava:
- Ò José, que é que te deu? Que fazes, homem?
- Estou a dar cabo deste traste velho, estou farto dele, retorquiu o homem.
- E então onde hei-de eu lavar a nossa roupa, José? Dizia já com a lágrima no olho…
- Comprei uma máquina hoje, vêm trazê-la daqui a pouco!
Desconfiada, a mulher ia para perguntar onde tinha ele ido buscar o dinheiro, quando tocou o telefone.
Era da loja dos electrodomésticos. Que lamentavam, mas que o Banco não autorizou o crédito e por isso não podiam entregar a máquina…
- E agora, José? Como vou eu fazer, homem?
Ainda não refeito da surpresa, o homem ia explicando que era uma situação provisória, que não havia que desesperar, que isto, que aquilo…
- Mas como é que eu vou lavar a roupa, homem?
- Olha, vais ao lavadouro público…
Nesta, como em muitas histórias, "quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão".
Desde 1906 que o Ramal da Lousã servia as populações de Miranda do Corvo e Lousã.
Se é verdade que esta última já era uma terra importante no século XV, é um facto que os dois municípios devem uma boa parte do seu desenvolvimento nas últimas décadas ao comboio, que transportava anualmente um milhão de passageiros.
Dotar Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã de um Metro de superfície, seria, talvez, um projecto de novo-rico. Desmantelar o Ramal da Lousã, foi, com toda a certeza, uma enorme estupidez.
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ETP - SICÓ Últimas inscrições para Formação ITED gratuita |
Últimas inscrições para Formação ITED gratuita
A legislação introduziu alterações ao nível da formação dos Técnicos inscritos na ANACOM que operam as redes ITED-Infra-estruturas de Telecomunicações em Edifícios, exigindo que tenham de efectuar formação de actualização para renovar a sua carteira profissional.
Atenta às necessidades formativas dos recursos humanos da região, a ETP Sicó está a desenvolver cursos de Formação Habilitante (100 horas) e de Actualização (50 horas) ITED, cursos estes devidamente reconhecidos pela ANACOM e que dão acesso à renovação das carteiras profissionais dos técnicos.
Estão abertas as últimas inscrições para estes cursos que serão financiados através das Formações Modulares Certificadas aprovadas para a entidade. Depois destas duas últimas acções, a ETP Sicó continuará a promover Formação ITED, contudo será não financiada, tendo os formandos que suportar os custos da sua frequência.
Será dada prioridade aos formandos que se inscreverem previamente, em www.etpsico.pt, através do telefone 236 620 500 ou nas instalações da escola em Avelar, Alvaiázere e Penela.
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Duarte Morgado na TVI |
O Duarte Morgado é filho de uma castanheirense – Madalena Neves – e neto de Aurora Correia, e foi seleccionado para participar no concurso "Uma Canção para Ti" , que se vai realizar do próximo domingo, dia 20, na Figueira da Foz, com transmissão na TVI.
O Duarte precisa dos nossos votos para passar à fase seguinte, pela Internet ou telefone.
Assista ao programa e vote do Duarte!
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Eleições Presidenciais |
As eleições presidenciais realizadas em Portugal no dia 23 de Janeiro, deram a reeleição de Cavaco Silva, logo à primeira volta, com um avanço confortável sobre o rival mais directo, Manuel Alegre.
No Município de Castanheira de Pera os resultados reflectem a tendência nacional, inclusive na abstenção, que se cifrou nos 52,35%. A excepção foi a freguesia do Coentral, onde a taxa de abstenção foi apenas de 37,6%. No entanto, a pequena expressão eleitoral desta freguesia não foi suficiente para alterar o panorama municipal. Curioso também na freguesia do Coentral, foi que apenas os dois candidatos mais votados: Cavaco Silva e Manuel Alegre tiveram votos, não tendo os restantes candidatos conseguido qualquer voto. Também não se registaram votos nulos.

  
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Concurso de Árvores de Natal |
Promovido pela Prazilândia decorreu no período das Festas de Natal o concurso de Árvores de Natal, destinado a estabelecimentos comerciais e instituições.
A iniciativa tinha como objectivo contribuir para a animação das ruas da Vila na época festiva, e consequente dinamização do comércio local.
Com apenas três inscrições: Residencial Visconde Nova Granada, Big Baby e Cantinho da Costura, a administração da Prazilândia decidiu atribuir aos três estabelecimentos participantes o primeiro prémio, pelo que irão receber cada um 30 bilhetes de acesso à Praia das Rocas.
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Metropolitano Ligeiro do Mondego
CIMPIN - Nota de Imprensa |
Metropolitano Ligeiro do Mondego
A Comunidade Intermunicipal do Pinhal Interior Norte (CIMPIN) tem pautado a sua intervenção pelo firme incremento do desenvolvimento socioeconómico do seu território. Move-nos, sobretudo, o desejo da inversão do declínio demográfico e do aumento da competitividade económica do aparelho produtivo regional; esta evolução desejada, demográfica e económica, que possa garantir o desenvolvimento, não será possível sem a modernização das acessibilidades.
A contribuição da linha ferroviária da Lousã foi, ao longo dos seus 104 anos de existência, decisiva para atenuar os efeitos da interioridade nos concelhos de Miranda do Corvo e Lousã. O desaparecimento desta infra-estrutura ferroviária penaliza, directamente, cerca de um milhão de utentes por ano que a utilizavam em movimento pendular, e é, por arrastamento, uma prova de desconsideração por toda a região.
Por esta razão, a CIMPIN não pode aceitar, passivamente, a retirada dos carris, votando ainda mais ao abandono uma parte do Pinhal Interior Norte, afectando negativamente a qualidade de vida das populações.
Na sua reunião de 22 de Junho de 2010, o Conselho Executivo da CIMPIN (composto por 14 municípios) deliberou por unanimidade "repudiar qualquer suspensão dos trabalhos em curso, bem como qualquer alteração da calendarização e eventual deslize das datas de conclusão das obras com consequentes prejuízos e descontentamento generalizado da nossa população". Esta deliberação foi transmitida ao senhor Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações em 2010-07-02, assim como à empresa Metro Mondego, S.A.
O Conselho Executivo da CIMPIN em 12 de Janeiro de 2011 decidiu manter a mesma posição de repúdio que havia assumido, contra a supressão desta infra-estrutura de vital importância regional. Vem manifestar e reiterar total solidariedade com as posições tomadas publicamente pelos municípios de Lousã e Miranda do Corvo, sobre esta matéria.
O Pinhal Interior Norte necessita de medidas discriminatórias positivas vindas do Governo, que ajudem esta NUT III no seu esforço de afirmação no contexto socioeconómico regional contribuindo, desse modo, para que se atenuem as assimetrias regionais a nível nacional. O repúdio por este desinvestimento com que a tutela dos transportes quer "brindar" este território, já de si desfavorecido, é acompanhado pela exigência de, no mínimo, ser reposto o funcionamento desta infra-estrutura centenária.
Lousã, 12 de Janeiro de 2011
O Presidente do Conselho Executivo
João M. Gomes Marques, Dr.
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Juventude Socialista
de
Castanheira de Pera
- Metro Mondego |
A Juventude Socialista de Castanheira de Pera vem por este meio mostrar a sua solidariedade para com as populações da Lousã e Miranda do Corvo.
Somos da opinião que todo este processo Metro Mondego já se arrasta há demasiado tempo e a paragem das obras no momento em que foi, só poderá demonstrar um mínimo de falta de sensibilidade para o significado de "Comboio" para estas populações.
É tempo de se focarem todas as forças em resolver os problemas com a seriedade que este assunto merece, mais do que encontrar culpados.
Compreendemos mais do que ninguém a problemática dos acessos e transportes, percebemos mais do que ninguém os impactos destas infra-estruturas caso não existam. O não apostar na problemática da interioridade já é grave e tem sido desde o longínquo 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje. Mais grave ainda, é retirar infra-estruturas já existentes, defraudando eticamente expectativas de populações inteiras.
A JS Castanheira de Pera, associa-se a esta problemática, como "vizinhos" não o poderíamos deixar de o fazer, até porque acreditamos que impactos da não existência desta linha centenária, não se limitam apenas a Lousã e Miranda do Corvo. Tentaremos fazer-nos representar pessoalmente em vossas futuras acções sabendo que também nós juventude e juventudes partidárias, temos as nossas problemáticas.
Terminamos agora com um apelo. Apelamos a todos os cidadãos, que intervenham. Incentivem os vossos filhos. Tenham uma participação cívica activa. Participem nas vossas Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia, mesmo nos partidos políticos com que mais se identifiquem. PARTICIPEM por Portugal !!
FORÇA. ESTAMOS CONVOSCO.
A Juventude Socialista de Castanheira de Pera
13 de Janeiro de 2011
http://jscastanheiradepera.blogspot.com
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Silvério Santos Nevado - COENTRAL TERRA DE ENCANTOS |
Faleceu no dia primeiro dia deste ano, o nosso colaborador Silvério dos Santos Nevado.
Poeta popular, punha nas suas rimas muita da sua alegria e espontaneidade.
O Castanheirense endereça aos seus familiares e amigos as mais sentidas condolências.
Entretanto, voltamos a publicar o seu poema "Coentral, Terra de Encantos", dedicado à aldeia que o acolheu, e que tanto amava.
Até sempre, amigo Silvério.

Click para Ler Poema
"Coentral Terra de Encantos"
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Mãos à Obra! Portugal! |
A AMO Portugal pretende e está empenhada em lançar aos seus voluntários um desafio ainda maior que o do Dia L.
Este desafio não se limitará a uma acção de um só dia, mas sim a acções que, algumas delas, terão inicio ainda em 2011 e poderão prolongar-se por períodos indeterminados.
Como voluntários que somos, pretendemos intervir e criar um plano de Protecção Florestal, que abranja todas as coisas que envolvem uma floresta, tudo o que depende dela e que lhe pertence.
À imagem da história do "Pássaro Beija-flor" (que sozinho, com uma gota de água no seu bico, tenta apagar um incêndio), se cada um de nós contribuir com um pouco de si, pondo Mãos à Obra, todos juntos conseguiremos.
Contudo não nos podemos limitar somente a colocar Mãos à Obra, pois é da maior importância sensibilizar e educar aqueles menos atentos.
Devemos dar tanto ou mais valor à preparação das acções que propriamente à acção em si.
Quando conseguirmos ter todas as pessoas sensíveis a estas problemáticas, as nossas intervenções práticas serão sobre problemáticas menos gravosas.
De modo a contribuir para a protecção da floresta, a AMO Portugal pretende criar acções que concretizem os temas apresentados nos tópicos abaixo indicados.
Procuraremos sempre o envolvimento de entidades, grupos e organizações, com reconhecida experiência nas áreas de acção que pretendemos desenvolver, procurando parcerias para coordenar, orientar e concretizar os objectivos propostos.
Todos nós somos voluntários, não pretendemos ser remunerados, glorificados ou distinguidos, não pretendemos ser radicalistas, extremistas ou sensacionalistas.
Pretendemos sim e exclusivamente distinguir, erguer, enaltecer, defender, zelar e proteger a nossa Floresta, a Natureza, o meio Ambiente e o nosso Ecossistema.
Sensibilização e Educação Ambiental;
Formação;
Prevenção à deposição ilegal de resíduos;
Vigilância florestal, detecção e alerta de incêndios florestais e apoio a sistemas de combate;
Plantação de árvores e flora autóctones;
Limpeza e controlo de espécies de flora infestante;
Defesa de espécies ameaçadas;
Especial defesa por áreas e espécies protegidas;
Limpeza e monitorização de lagos e ribeiros;
Defesa da fauna florestal;
Construção e monitorização de abrigos;
Construção e monitorização de locais de nidificação;
Construção e manutenção de observatórios;
Construção de bebedouros (alimentados pelas águas da chuva);
Facilitar passagens/atravessamentos de rodovias;
Observação acompanhamento e contagem do diferente tipo e número de espécies presentes em zonas de Portugal;
Recolha de animais feridos, e direccionar por exemplo para parques biológicos;
Sensibilizar e ensinar a população de formas de como coabitar os mesmos espaços com determinados animais selvagens.
"A Terra não pertence ao Homem. O Homem pertence à terra." – Chefe Seattle
Para saber mais aceda a http://www.AMOPortugal.org.
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Deliberação tomada em sessão ordinária da Assembleia Municipal |
Fernando José Pires Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera, em cumprimento da deliberação tomada em sessão ordinária da Assembleia Municipal de 22/12/2010, vem tornar público as tomadas de decisão dos órgãos do município relativas à alteração ao sistema de transportes dos utentes do serviço nacional de saúde instituído neste Concelho.
Assim, informa que, em reunião ordinária de 15/11/2010, a Câmara Municipal tomou a deliberação que a seguir se transcreve:
“Tendo tomado conhecimento de que a Administração Regional de Saúde pretende proceder à alteração do sistema de transportes instituído para os utentes dos serviços de saúde do Concelho, cumpre à autarquia diligenciar no sentido de acautelar os interesses locais e minimizar os eventuais efeitos negativos que essas alterações poderão ter na vida da população residente. Assim:
Considerando que o sistema actualmente em vigor foi adoptado há já largos anos (década de 70 do séc. XX) e constitui de facto uma excepção ao regime geral de reembolso directo aos utentes, só justificável em zonas carenciadas e em regra do interior do país;
Considerando que os motivos que estiveram na origem da implementação deste sistema, designadamente, a interioridade, as carências económicas e a inexistência de um serviço de transportes públicos adequado, se mantêm ou se agravaram mercê de algumas características intrínsecas deste território como, por exemplo, o aumento exponencial do índice de envelhecimento da população;
Considerando que, ao longo dos anos, as alterações introduzidas ao sistema foram sempre efectuadas no sentido de o optimizar, nomeadamente, no que respeita ao transporte dos utentes até ao local exacto onde lhes é prestado o serviço, sem qualquer custo acrescido, tornando-o, assim, numa mais-valia imprescindível à qualidade de vida dos cidadãos aqui residentes, face à distância a que se encontram dos principais serviços de saúde;
Considerando as grandes limitações do serviço de transportes públicos existente no Concelho e a falta de alternativas ao mesmo, públicas ou privadas (ex. Bombeiros Voluntários) para um efectivo cumprimento por parte dos utentes dos horários que lhes são estipulados pelos diversos serviços de saúde;
Considerando que, para além de horários incompatíveis, os transportes públicos disponíveis apresentam uma reduzida flexibilidade em termos de percursos, implicando vários transbordos, e representam um maior gasto de tempo para os utentes, quer no percurso, quer na estadia no local do serviço a que recorre; Considerando que o maior gasto de tempo origina, por um lado, maior despesa para o utente, nomeadamente ao nível da alimentação, e, por outro lado, traduz-se num maior número de faltas ao trabalho por parte dos activos, com consequências nefastas ao nível da produtividade e da sustentabilidade das empresas em laboração no Concelho; Considerando que, tal como já referido, Castanheira de Pera é um Concelho com um elevado índice de população envelhecida, com grandes limitações ao nível da mobilidade, sendo que a maioria não tem sequer possibilidade de se deslocar em meios próprios; Considerando o baixo nível de rendimento per capita da generalidade dos utentes que, em muitas situações, pode determinar pura e simplesmente a não utilização dos serviços de saúde por falta de condições financeiras para aceder ao mesmo;
Considerando que uma alteração ao sistema instituído, sem precaver e atender às especificidades enumeradas, traria graves consequências para o Concelho e seus residentes, nomeadamente:
- Maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde prestados fora do concelho;
- Penalização do utente com o agravamento do custo de transporte, alimentação e faltas ao emprego;
- Consequências ao nível da sustentabilidade das empresas ligadas ao transporte de utentes do serviço nacional de saúde que operam no Concelho;
- Agravamento dos índices de desemprego do Concelho, já de si elevados, com a consequente deterioração das condições socio-económicas da população e aceleração do despovoamento local;
- Diminuição das receitas fiscais a nível autárquico e estatal;
- Aumento do tráfego rodoviário no principal percurso em causa (Castanheira de Pera – Coimbra – Castanheira de Pera), bem como na cidade propriamente dita, com o consequente aumento do risco de sinistralidade, atendendo à generalidade dos utilizadores tipo;
- Desperdício de recursos a todos os níveis (económico, financeiro, material e ambiental) e aumento da poluição atmosférica;
Considerando que a própria Administração Regional de Saúde será onerada com algumas das alterações aventadas, quer ao nível de custos, uma vez que passará a ter que ressarcir cada utente do Serviço Nacional de Saúde que se desloque a Coimbra no montante de 16,80€, contra os actuais 14,80€ pagos às empresas de táxis a operar no Concelho, quer ao nível administrativo, já que o processo inerente ao tratamento de dados para reembolso de verbas passará a ser da sua exclusiva responsabilidade, ao invés do que acontece actualmente em que são as empresas transportadores que tratam de grande parte do mesmo;
Considerando que quaisquer alterações que ponham em causa o regular acesso ao Serviço Nacional de Saúde, independentemente da localização do mesmo, agudizarão as assimetrias interior/litoral, provocando uma desigualdade de direitos, nomeadamente no que respeita ao direito inalienável do acesso à saúde e aos cuidados médicos em igualdade de circunstâncias por parte de todos os cidadãos;
Considerando ainda que, perante tais circunstâncias, é de relembrar a necessidade que existe num tratamento desigual para o que é, naturalmente, diferente;
Propõe-se que, atendendo a que o sistema de transportes actualmente em vigor é aquele que melhor satisfaz as necessidades dos utentes e o que permite um melhor e mais eficaz acesso à saúde dos residentes neste Concelho, a Câmara Municipal delibere manifestar junto da Administração Regional de Saúde a sua preocupação pelas consequências nefastas, bem como pelos prejuízos que uma alteração radical do dito sistema possa vir a causar à população, sem, contudo, deixar de compreender a conjuntura actual e aceitar a necessidade imperiosa de se operarem reformas que conduzam, naturalmente, a medidas de contenção de custos, desde que as mesmas não se reflictam numa diminuição da qualidade dos serviços prestados e numa maior dificuldade do acesso à saúde, direito inalienável de todos os cidadãos.
Mais se propõe, que a Câmara Municipal delibere manifestar a sua disponibilidade para, em conjunto com as entidades competentes, encontrar uma solução equilibrada e justa que possa ir de encontro às naturais expectativas de todas as partes envolvidas.
DELIBERAÇÃO: Proposta aprovada por unanimidade e em minuta.”
Mais informa que, em sessão ordinária realizada a 22/12/2010, a Assembleia Municipal tomou a seguinte deliberação:
“A AM, em reunião ordinária de 22 de Dezembro de 2010, tomou conhecimento das alterações que a Administração Regional de Saúde pretende implementar no que respeita ao sistema de transportes instituído para os utentes dos serviços de saúde do nosso Concelho.
Atendendo às consequências que a concretização das aludidas alterações acarretaria quer para os utentes, quer para os transportadores, a AM não pode deixar de tomar uma posição relativamente ao assunto.
Nestes termos, tendo em consideração o seguinte:
- O sistema actual remonta à década de 70, tendo sido instituído como regime de excepção justificável atendendo, nomeadamente, à localização do concelho, ao seu distanciamento dos centros de tratamento médico, à inexistência de uma rede de transportes regular e eficiente que cobrisse as necessidades dos utentes dos serviços de saúde do concelho, aliado às carências económicas e ao índice de envelhecimento da população;
- As razões justificativas do regime de excepção continuam a existir, tendo inclusivamente sofrido um agravamento tendo em atenção o suprimento de transportes públicos e à actual conjuntura socioeconómica;
- As alterações aventadas pela Administração Regional de Saúde, a concretizarem-se, para além das consequências nefastas ao nível dos transportadores actuais, colocam em causa o regular acesso dos utentes ao Serviço Nacional de Saúde, o que necessariamente causará danos que, em última instância, poderão ser irreparáveis.
Assim, considerando que o actual sistema de transportes é aquele que melhor satisfaz as necessidade dos utentes, a AM, delibera corroborar, nos seus precisos termos, a deliberação tomada por unanimidade pela Câmara Municipal em reunião ordinária realizada em 15 de Novembro de 2010, reiterando a necessidade da manutenção do sistema de transportes actualmente em vigor e/ou a criação de uma solução que cumpra de modo eficaz e eficiente as razões de interesse público a ele subjacentes, satisfazendo os interesses de todas as partes envolvidas.”
Para constar e produzir os devidos efeitos se publica o presente edital que será também disponibilizado na página electrónica do Município – www.cm-castanheiradepera.pt – publicado em jornal local e afixado nos locais de estilo.
Castanheira de Pera, 31 de Janeiro de 2011
O Presidente da Câmara Municipal
(Fernando José Pires Lopes)
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1911 / 2011
Centenário do falecimento do
Visconde de Castanheira de Pera |
Vai ocorrer no próximo dia 4 de Novembro de 2011, o primeiro centenário da morte de António Alves Bebiano, Visconde de Castanheira de Pera, e figura
incontornável da história de Castanheira de Pera.
Assinalando o facto, O Castanheirense vai publicar ao logo deste ano, diversos documentos alusivos ao Visconde de Castanheira de Pera, lembrado que foi
por iniciativa deste jornal que erguido o monumento que lhe é dedicado, sito na praça que tem o seu nome, e inaugurado em 30 de Junho de 1950.
António Alves Bebiano
Visconde de Castanheira de Pera
António Alves Bebiano nasceu em
Castanheira de Pera no dia 27 de Julho
de 1831, filho de José Alves e Maria da
Silva.
Aos 21 anos emigra, como tantos compatriotas,
para o Brasil, onde casa com
Dª Ana Luísa Monteiro de Barros Baeta
Neves, fidalga brasileira.
Regressa a Castanheira de Pera em
1868 e decide investir toda a sua fortuna
(500 contos de então) numa fábrica
de lanifícios, tarefa que se revestiu de
enormes dificuldades, bem patentes
nos onze anos que demorou a concretizar
o projecto. Sem vias de comunicação,
foi necessário trazer máquinas,
equipamentos e materiais de construção
através da Serra da Lousã, a força
de braços e juntas de bois, por vezes
40, pelas pedregosas encostas da Serra.
Técnicos nacionais e principalmente
estrangeiros foram chamados para
evoluir a qualidade dos tecidos, até
então "de grosseiro burel e áspera
saraçoça", e ensinar os operários a trabalhar
com as novas máquinas, do
melhor que então havia na indústria.
Os seus esforços foram coroados com
as medalhas de ouro alcançadas em
exposições internacionais, em Paris,
Filadélfia, Coimbra e Rio de Janeiro, e
naturalmente pelo sucesso da sua
indústria.
Por sua iniciativa é construída a estrada
da Serra, na parte do distrito de Leiria,
e como não houvesse sinais de que
seria continuada da parte de Coimbra,
decide mandar elaborar a suas expensas
o projecto da estrada para Figueiró
dos Vinhos. Da sua iniciativa foi igualmente
a criação de uma estação de
Telégrafo, que financiou, pagando igualmente
o ordenado e o alojamento do
funcionário.
A sua excepcional visão não se cingia
ao mundo empresarial. Preocupado
com a instrução e bem-estar dos seus
operários, promove em 1882 o ensino
através do método de João de Deus,
naquela que foi a primeira missão da
Associação de Escolas Móveis no país.
A ele se ficaram também a dever a fundação
da Filarmónica Castanheirense
em 1880, bem como de um Clube de
convívio e uma associação de socorros
mútuos. A sua acção também se fez
notar na agricultura, mandando semear
vastas áreas de pinheiros e oliveiras.
Foi presidente da Câmara Municipal de
Pedrógão Grande, de onde, em 1890,
envia ao ministro do Reino António
Augusto de Aguiar uma exposição solicitando
a criação em Castanheira de
Pera de uma escola profissional. A sua
curta mas influente carreira política
possibilitou o lançamento do seu filho
João Bebiano, que foi deputado às
Cortes, viabilizando assim a concretização
de alguns projectos, entre os quais
a almejada estrada para Figueiró dos
Vinhos.
Por decreto de 27 / 1 / 1881, de D.
Luís, que se encontra inscrito no livro
de Mercês nº 38, a fls. 218, lê-se:
"D. Luís, por graça de Deus, Rei de Portugal
e dos Algarves faço saber aos que
esta minha carta virem que atendendo
ao merecimento e qualidades que concorrem
na pessoa de António Alves
Bebiano, grande industrial do concelho de
Pedrógão Grande; e querendo dar-lhe um
público testemunho da minha Real consideração;
Hei por bem fazer-lhe mercê do
Título de Visconde de Castanheira de
Pera em sua vida. Pelo que mandando eu
passar ao agraciado a presente carta
afim de poder chamar-se de ora em
diante VISCONDE DE CASTANHEIRA
DE PERA e gozar deste Título, com as
honras, prerrogativas, preeminências e
obrigações determinadas pela Lei e
Regulamentos."
Faleceu em 4 de Novembro de 1911,
nas vésperas de conseguir ver concretizado
aquele que seria talvez o seu
maior sonho, e para o qual foi um dos
maiores contribuintes, a fundação do
concelho de Castanheira de Pêra.
Fontes: Jornal O Castanheirense: Dr. Ernesto Marreca David –
Pe. Belarmino Soeiro – Engº José Manuel Simões.
Monografia do Concelho de Castanheira de Pera – K. Barreto.
Publicado no Boletim Municipal nº 42, de Janeiro / Fevereiro de
2003.
António Alves Bebiano
Visconde de Castanheira de Pera
Busto do Visconde de Castanheira de Pera
Erguido por iniciativa d' O Castanheirense
Inaugurado em 30 de Julho de 1950
Foto arquivo d' O Castanheirense
Busto do Visconde de Castanheira de Pera
Erguido por iniciativa d' O Castanheirense
Inaugurado em 30 de Julho de 1950
Corria o ano de 1947. No jornal O
Castanheirense, na altura dirigido por
Adriano José Sebastião Coelho, número
343 de 20 de Fevereiro, podia ler-se
na primeira página, as seguintes palavras
escritas pelo Pe. Belarmino Soeiro:
"Evocar o nome do Visconde é recordar,
reviver, uma das fases mais importantes
da vida Castanheirense; é dar
por modelo de iniciativa e tenacidade
aos novos, um homem a quem, sabe
Deus, quanto a Ribeira de Pera deve. É
pôr diante dos olhos castanheirenses, o
seu grande benfeitor; é fazer ecoar na
consciência desse bom povo a voz da
gratidão, até que o tempo dê lugar à
Justiça – a erecção de um busto ao Visconde
de Castanheira de Pera."
Lançada a ideia, são nomeadas comissões
de Honra, constituída por todos
os industriais da Ribeira, e Executiva,
constituída pelos Srs. Drs. Ernesto Marreca
David, José Fernandes de Carvalho,
Avelino Duarte dos Santos, José
Bebiano Correia Henriques da Silva,
Padre José Nascimento e Padre Belarmino
Soeiro. É também iniciada nas
páginas d' O Castanheirense uma subscrição
pública, encabeçada pelo próprio
jornal, e que consegue reunir
70.362$00, o suficiente para executar a
homenagem.
No dia 30 de Julho de 1950, com a
pompa e circunstância que a dignidade
do acto exigia, na presença de diversas
individualidades, com destaque para o
Governador Civil de Leiria e para o
representante do Ministro da Economia,
é finalmente inaugurado o busto
do Visconde de Castanheira de Pera,
projectado pelo Arquitecto Maximiliano
Alves.
Foram oradores o presidente da
Comissão Executiva, Dr. Ernesto Marreca
David, o Dr. José Fernandes de
Carvalho, representando a Câmara
Municipal, e o Eng.º Bacelar Bebiano,
neto do Visconde. Descerrou a Bandeira
Nacional com que se encontrava
coberto o busto, a filha do homenageado,
Dª Bebiana Bebiano Barreto.
Na mesma ocasião, e por proposta do
Sr. Ministro da Economia, foram agraciados
por ordem do Sr. Presidente da
República com a Ordem de Mérito
Industrial, dois empregados, Manuel
Domingos Alho e Joaquim Alves
Tomaz, que trabalharam sob orientação
e nas fábricas do homenageado.
Na base do monumento, podem ler-se
as palavras do tribuno Alves Mendes,
em dedicatória no livro "Discursos"
que ofereceu a António Alves Bebiano:
"Benemérito da Pátria que o fez grande
e do trabalho que o fez nobre" a)
a) Na dedicatória, Alves Mendes escreveu "Benemérito da Pátria
que o fez grande e do trabalho que o fez maior". A palavra maior
foi substituída na legenda do monumento por nobre.
Fontes: Jornal O Castanheirense – nº 501/502 – 4/08/1950
Monografia do Concelho de C. Pera - K. Barreto
Publicado no Boletim Municipal nº 42, de Janeiro / Fevereiro de
2003. |
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Bissaya Barreto -
O Homem por quem o comboio esperava |
Por: Tó-Zé Silva - Licenciado e Mestrando em História
Fernando Baeta Bissaya Barreto Rosa nasceu em Castanheira de
Pêra a 29 de Outubro de 1886, e faleceu em Lisboa, no "Hotel
Metrópole", a 16 de Setembro de 1974. Era filho de um farmacêutico,
que exerceu as funções de Presidente da Câmara Municipal
de Pedrogão Grande. Foi o pai que o iniciou nas primeiras
letras, bem como na apetência para as questões políticas. Até aos
13 anos cresceu no seio de uma família burguesa, típica de um
país católico, altura em que vai para Coimbra na companhia de
uma criada, a fim de frequentar o Colégio de S.
Pedro, que frequenta até ao 5º ano, transitando
depois para o Liceu José Falcão, onde, aos 16
anos, termina o 7º Ano com a classificação de
"Muito Bom". Após a conclusão dos estudos
liceais ingressa na Universidade de Coimbra, onde
se matricula em três cursos em simultâneo: Filosofia,
Matemática e Medicina.
Em Filosofia, para se
satisfazer a si próprio; em Matemática porque
estava persuadido de que era a engenharia a carreira
vocacionada; e em Medicina para satisfazer
as tradições e o desejo da família. Em Coimbra foi
sempre um estudante exemplar, onde formou
uma personalidade de intelecto diversificado,
monopolizando os prémios académicos nos cursos
que frequentava, a par com a intervenção
ideológica e política. Em 1904 milita no campo
Republicano, influenciado tanto pelo grupo
«Juventude de Livre Pensamento», como pela
Maçonaria, através do prolongamento desta, a
«Carbonária». Entre 1906 e 1909 está entre os
que fundam, respectivamente, o «Centro Republicano Académico
» e a «Loja – A Revolta», que percutirá a criação do «Comité
Revolucionário da Carbonária de Coimbra», em vésperas do 5
de Outubro de 1910. Em 1907, recusa prestar provas em protesto
contra as medidas de João Franco e como interveniente na
Greve Académica, mas recupera no ano seguinte as disciplinas
referentes a dois anos lectivos, nos três cursos que frequentava,
e sem diminuir as altas classificações de sempre. Aliás, em 20 de
Novembro de 1908 seria laureado pelas Faculdades de Matemática,
Filosofia e Medicina, na Sala Grande dos Actos. Porém,
perante o monarca D. Manuel II recusa-se a receber os prémios,
declarando «Não conheço o Rei». Em 1911 licencia-se em Medicina
na Universidade de Coimbra, com a classificação de 19 valores
e assume o lugar de assistente de cirurgia geral. Já anos antes
finalizara os outros dois cursos (Matemática e Filosofia). Faz o
doutoramento em Medicina em 30 de Julho de 1915; em 1916
é nomeado Professor Extraordinário da Faculdade de Medicina
de Coimbra; em 1918 é Professor Ordinário da mesma Faculdade;
em 29 de Outubro de 1956 é jubilado como Professor Catedrático
da Universidade de Coimbra. Em 1927, o governo militar
saído da Revolução de 28 de Maio de 1926 nomeara-o Presidente
da Junta Distrital de Coimbra, cargo que exerceu até 1974.
Este cargo colocou-o em contacto com a problemática da assistência
pública e inspirá-lo-á a forjar um grande projecto de obra
social, multidireccionada, como reflexão das preocupações republicanas
em relação à educação nacional e à assistência pública, e
que terá oportunidade de concretizar durante a vigência do Estado
Novo. De realçar que Bissaya Barreto cultivou ao longo da
sua vida uma longa e estreita amizade com outro Professor de
Coimbra, António de Oliveira Salazar, amizade tecida desde os
primeiros tempos universitários.
Entre 1930 e finais da década de 60, Bissaya Barreto pertenceu a
uma vasta lista de Comissões e de Direcções, encarregadas de
obras relacionadas com as questões socais, que incluíam a construção
de hospitais (com atendimento gratuito), infantários e inúmeras
campanhas de saúde, norteado por dar prioridade à resolução
dos problemas sociais e assistenciais do país. Politicamente
e sob a égide do Estado Novo, fez parte da Comissão Central da
União Nacional e foi Procurador à Câmara Corporativa. Todavia,
sozinho ou com o apoio institucional e da cúpula do poder consegue,
em Coimbra (e na Região Centro) levar à prática a legislação
e a filosofia do novo Regime, alinhando com os ideólogos
do Estado Novo mas sem se submeter totalmente aos seus princípios,
procurando, antes de tudo, praticar os seus fundamentos
ideológico-sociais.
Quem o conheceu refere-se a ele como um homem de olhar
sereno, voz pausada e gestos suaves. Um homem que encontrava
o seu próprio equilíbrio no excesso e no ritmo "frenético" de
trabalho que necessitava de manter, como condição necessária
para combinar as suas muitas faculdades. Bissaya Barreto era ao
mesmo tempo Professor, Cirurgião, Clínico, Planificador e Construtor.
O seu dia começava às 7.30h, quando saía de casa. Antes disso,
já tinha reunido com os mestres das (muitas) obras que trazia em
construção. Das 8.00h às 10.00h dava aulas de Técnica Cirúrgica
na Universidade, começando depois a operar até às 13.00h, hora
a que começava a ver os doentes que teria de operar no dia
seguinte. Em seguida ia para o consultório, entre as 14.00h e as
15.00h, para receber clientes. Não almoçava, comia torradas e
uma chávena de chá entre duas visitas, continuando a atender
doentes no consultório até às 21.00h. Saía a essa hora e voltava
ao hospital para ver os doentes operados de manhã. Recolhia a
casa por volta das 22.00h, onde jantava (aqui sim, a sua grande
refeição do dia), após o que dedicava tempo para as suas investigações,
a administração das obras e a correspondência (montes
de cartas que se acumulavam nas mesas, nas cadeiras, nas estantes,
tanto em casa, como no consultório e no gabinete do hospital).
E tempo para dormir? "Sabe, tenho um sono magnífico, totalmente
reparador de 4 horas por noite". Quando era
chamado de noite de urgência, às vezes para percorrer
distâncias com algumas centenas de quilómetros,
dormia normalmente na viagem dentro do
carro, entre solavancos e ruídos de fundo. Durante
o dia e no caso de se sentir cansado, possuía um
pequeno compartimento, contíguo ao seu consultório,
onde se recolhia durante alguns instantes. Instalava-
se numa vasta poltrona onde, passados
alguns segundos (na verdadeira acepção da palavra),
começava a dormir instantânea e profundamente
durante 5 ou 6 minutos. Passado esse
tempo reaparecia no consultório, risonho e fresco,
totalmente refeito, como se tivesse dormido 2
horas. Possuía uma saúde e uma robustez invejável,
ombros largos e firmeza no andar, apesar da frugalidade
da sua vida quotidiana. Possuía também uma
invulgar e extraordinária memória, que exercia com
genial agilidade. Para além da sua energia física,
parecia também animado por uma prodigiosa energia
moral. Conta Pierre Goemaere, escritor Belga,
que o conheceu muito de perto, e que editou um livro em 1942
dedicado a Bissaya Barreto (integrado na colecção os «Grandes
Contemporâneos»), que nunca o viu fumar, nem beber, mesmo
às refeições, senão chá.
Deslocava-se a Lisboa quase todos os fins de semana para almoçar
com Salazar (ficando hospedado no Hotel Metrópole) apanhando
o «rápido» (comboio) em Coimbra. Quando Bissaya
Barreto se atrasava a chegar à estação, o comboio esperava por
ele, e não seguia para Lisboa, sem que o distinto Médico estivesse
a bordo.
É certo que era amigo pessoal dos governantes do Estado Novo
e, em especial, de Salazar, e que isso lhe facilitava o aval de quem
tinha o poder decisório na capital, desbloqueando verbas financeiras
consideradas bem nutridas para a época e que foram canalizadas
para Coimbra e para a Região Centro. Mas temos de
reconhecer, que a totalidade desses recursos foi exclusivamente
utilizada para o bem público.
Bissaya Barreto foi sobretudo um homem de grande dimensão
ética e humana, pautado entre o cidadão politico fruto da sua
época mas, acima de tudo, pelas concepções sociológicas e
pedagógicas que sempre defendeu e com as quais construiu a
base da sua biografia. A sua obra reflecte, sobretudo, os traços
pessoais de um homem preocupado com os elos mais fracos da
sociedade.
Eis, numa breve resenha, aquilo que constitui o legado da sua Obra Social:
24 «Casas da Criança»; 4 Maternidades; o «Portugal dos Pequenitos»; 3 Colónias de Férias; 2 Bairros Sociais; 1 Preventório (Penacova); 2 Hospitais psiquiátricos; 1 colónia agrícola psiquiátrica; 1 Leprosaria; 1 Creche/Preventório para
filhos de leprosos; 1 Centro de Reabilitação para ex-leprosos; 3 Sanatórios; 1 Instituto Materno-Infantil; 1 Casa-Mãe (Figueira da Foz); 1 Centro Hospitalar (de Coimbra); 1 Hospital Geral Central; 1 Hospital Pediátrico; 9 Dispensários
(Central de Coimbra, Arganil, Cantanhede, Lousã, Montemor-o-Velho, Penacova, Góis, Penela e Poiares); Obras de Higiene e Profilaxia Social (com dois Dispensários de Profilaxia de Doenças Venéreas de Coimbra); Brigadas Móveis;
Postos Rurais; 1 Instituto de Surdos (Centro de Recuperação em Bencanta); 1 Instituto de Cegos (Centro do Loreto); 1 Centro de Neurocirurgia; Escola de Enfermagem Bissaya Barreto; Escola Normal Social; Escola de Enfermeiras
Puericultoras; Escola Profissional de Agricultura, Artes e ofícios (Semide); Aeródromo de Coimbra (Cernache-Coimbra); Estaleiros Navais (Figueira da Foz); o Bairro Económico do Loreto; 1 Fundação com o seu nome.
[Fontes: AAVV, "Conhecer Bissaya Barreto", in Revista do Jornal Campeão das Províncias, 08 de Maio de 2008; Barreto, Kalidás, Monografia da Castanheira de Pêra, CMCP, 2004; Castilho, Jorge, "Professor Bissaya Barreto: Um grande
Homem, um Homem do Futuro", in suplemento do Jornal Centro, Novembro de 2008; Goemaere, Pierre, Os Grandes Contemporâneos – Bissaya Barreto, Edição «Casa das Beiras», 1942; Silva, TóZé, O Portugal dos Pequenitos
ou a Representação do País no Estado Novo: Um olhar actual sobre um património dos anos 40, 2009 (trabalho de investigação de mestrado); Jornal «O Norte do Distrito», nº 96, Dezembro de 1956 (in Site da Biblioteca Municipal
– «Imprensa Nacional»); Site da Biblioteca Municipal – «Figueiró em Imagens».] |
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