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  À Primavera Arminda Frade

  Dádiva Divina Maria do Carmo Dias

  Tempo que passa de depressa Helena Tomaz

  Sacola de antigamente! Clarinda Henriques

  Sol Maria Manuela Basílio

  

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À Primavera por Arminda Frade

Já chegou a Primavera
E com ela as andorinhas
Tudo é mais alegre e feliz
Com o canto das avezinhas

E logo de manhãzinha
Canta alegre a cotovia
Anuncia a Primavera
E o nascer do novo dia

E o Rouxinol atento
Noite e dia sempre a cantar
Para que o gavião da videira
O não torne apanhar

Quando chega a Primavera
O amor anda no ar
Todo o campo está florido
Mil flores por todo lado

O amor da Primavera
No verão rejuvene-se
No Outono se torna firme
No Inverno jamais se esquece

Ainda agora chegas-te
Mas em breve nos vais deixar
Desejo-te boa viagem
E que para o ano nos voltamos a encontrar

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Dádiva Divina por Maria Carmo

Deus deu-me a graça infinita
duma filha de presente
foi uma dádiva divina
uma luz na minha mente.

Muitos anos são passados
desde o dia em que nasceu
para mim enamorados
da graça que Deus me deu.

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Tempo que passa de depressa por Helena Tomaz

Ainda agora foi o Natal
Já passou o Carnaval
Temos breve o Verão
E depois o S. João

Depois temos o Verão
Com a sua praia das Rocas
E aí temos a Castanheira
Cheia de caras larocas

Esta terra acolhedora
Está agora rota
Porque dão rendimentos mínimos
A pessoas que andam à solta 

Acho bem não deixarem
Ninguém morrer à fome
Mas dar dinheiro a quem não precisa
É pouco nobre

Tenho dois filhos a meu cargo
O que é muito duro
É difícil viver
E alcançar o futuro

Hoje está um lindo dia
Assim é que está bem
Mas já hoje apanhei um susto
Por causa da saúde de minha mãe

A vida é bela
Mas é preciso saber vivê-la
Quem não a respeita
Cedo pode perde-la

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Sacola de antigamente! por Clarinda Rodrigues

Sacola de antigamente!
Eu levo ao ombro a sacola
Levo: livros, borracha e caneta,
Os cadernos e o lápis
Levo versos dum poeta.
Meto lá dentro a merenda
Sigo feliz e contente,
Mas levo acima de tudo
Bem fresquinha a minha mente.
Levo um jogo e uma bola
A lousa, pra rascunhar,
Às vezes no dia da mãe
Também levo: uma prenda pra lhe dar...
Meto tudo na sacola
Com muito brio e sabor,
Às vezes, lá vão as notas
Assinadas pelo professor
Minha sacola é pesada
Leva a pena e o tinteiro,
Ela vai comigo pra escola!
Passear o ano inteiro.
Minha sacola é irmã!
Do meu casaco desbotado,
Já está a ficar rotinho,
E nem se queixa coitado.
E em tempo dos exames
Ninguém nos oferecia brindes,
Mas na minha sacola não faltam!
P'ra brincar os meus berlindes!
Já se rebentou a alça,
Já se partiu o botão
Ela está muito rotinha,
Do bico do meu pião.
A minha velha sacola!
Está cobertinha de pó,
Foi feita duma saia velha,
Pertença! Da minha avó!

Já me tornei homenzinho!
Já dispensei a sacola,
Foi sempre uma boa amiga
Enquanto eu andei na escola...
A minha velha sacola!
Guardarei como penhor
Para os alunos ensinar
Respeitai o vosso professor.

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Sol por Maria Manuela Basílio

Sol ilumina
Sonhos de menina
Vem dentro de mim
Traz felicidade
Amor de verdade
Que não tenha fim

Sol tu és perfeito
Entra no meu peito
Dá-me a tua calma
Tu és criador
Tens paz tens calor
Aquece-me a alma

Sol radioso
Tu és grandioso
Com a tua luz
Mostra-me o caminho
Onde há rosmaninho
Porque me seduz

Sol universo
É teu este verso
Feito emoção
Humano o calor
Que vem do amor
Do meu coração

Sol que a terra tem
Ela é nossa mãe
E tudo nos dá
Grandioso ventre
Que transporta a gente
E nos leva p’ra lá.


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