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Opinião
Luís Araújo
Ruy Serrano
A. Pais Dias
Mj
Mario Nunes
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| Luís Araújo |
A Lenda do Mouro de Cabril
Em quase todas as localidades portuguesas existe uma história relativa aos mouros. Muitas dessas histórias estão relacionadas com ocupação muçulmana da região ou muitas vezes para justificar um mito mouro que caracteriza qualquer acontecimento anterior ao domínio cristão da península.
Muitas destas histórias estão relacionadas com o nosso imaginário.
Estas lendas envolvem amores perdidos, batalhas e um mundo mítico.
As moiras ou mouras são seres segundo as lendas que vivem em sítios adormecidos no tempo, longe da população. As lendas percorrem os séculos por meio da tradição oral.
Algumas das lendas envolvem o pagamento de pão para qualquer tarefa desempenhada.
Acredita-se que tal proceder está relacionado em oferecer alimentos aos defuntos pratica comum naquele tempo.
No concelho de Castanheira de Pêra mais precisamente em Cabril contava-se uma lenda que tem vindo a esquecer-se nesta região, " A Lenda do Mouro de Cabril.
A lenda começa por falar que certa altura uma bonita moça, filha de modestos agricultores que todas as manhãs guardava a sua porca e seus leitões. No fim do dia voltava a casa de sua mãe para preparar o jantar.
No entanto um dia já tarde os seus pais ficaram preocupados com a ausência de sua filha, já o sol se tinha posto. Os pais aflitos foram até a sua horta em busca da sua querida filha, procuraram também em outros caminhos que normalmente ela costumava passar, mas não a encontraram. A população sabendo do acontecimento ofereceu-se em procurar a filha dos agricultores mas sem sucesso.
Logo tiraram conclusões que tal acontecimento relacionava-se com o Demónio.
Certo dia a mãe da jovem encontrava-se na sua horta quando surge um homem que pedia a sua colaboração em auxiliar uma mulher que precisava ajuda. Ela logo seguiu tal homem e certa altura abriu-se um alçapão num terreno e o homem convidou-a a entrar. Qual o seu espanto ao descer aquele alçapão quando observa espantada um magnifico palácio. Logo verificou uma mulher com uma criança que necessitava ajuda, o homem o dono do palácio deu-lhe um frasco com um liquido que devia lavar os olhos da criança mas alertou-a que caso lavasse os seus olhos ficaria cega, mas a mulher idosa não deu muita importância e pensou que poderia usar tal liquido milagroso, por lavar um só olho pois caso cegasse dele ainda teria outro.
Assim o fez, e para seu espanto a mulher que tinha a criança era a sua filha, no entanto a filha mandou calar sua mãe pois tinha receio que o homem que tinha convidado sua mãe descobrir-se que ela era sua filha. O homem pagou o serviço desta mulher com um punhado de carvão. A mulher saiu com o seu coração despedaçado, perturbada e muito confusa regressou a sua casa. No caminho para sua casa ainda tentou saber onde encontrava o alçapão mas já não o encontrava. Aborrecida lançou algum carvão que lhe tinham dado fora, sem se aperceber o valor do que estava a deitar fora.
Chegando a casa logo desabafou com o seu marido contando o que se passava e mete a mão ao bolso para ver o pagamento que o homem tinha lhe dado em carvão quando para sua surpresa eram pequenas partículas de ouro, logo se apercebeu o que tinha deitado fora. O marido logo associou a história de sua esposa com as mouras encantadas.
No entanto decidiram os dois em procurar o famoso alçapão que os levaria ao palácio e á sua querida filha. Muito procuraram mas sem sucesso.
Voltaram para casa exaustos e desanimados.
Certo dia a mulher agricultora necessitou em ir a uma feira, quando no meio de muitos feirantes reconhece por causa de seu olho lavado com o miraculoso líquido o homem que a levou à sua filha. O homem ao perceber que a mulher o tinha reconhecido cegou-lhe o seu olho. Assim a mulher não pode mais ver sua filha continuando ela encantada pelos rochedos do Cabril.
Tal lenda está relacionada com a ocupação muçulmana nesta região, os muçulmanos ocuparam a península ibérica por volta do ano de 720. Como já tinha falado no artigo anterior os muçulmanos deixaram na península muitos objectos bem como a sua cultura e lendas também. Al-Andalus era o nome que os muçulmanos designavam a península ibérica e foi necessário muito tempo para se reconquistar. D. Afonso Henriques foi um dos grandes responsáveis por essa reconquista expulsando os Mouros mas não as suas lendas mas isso será outro tema que terei a oportunidade de mencionar noutra oportunidade.
Luís Araújo
Bibliografia:
Brandão, Abílio.(1911).Lendas de Mouras encantadas. Revista Lusitana, Volume XIV, Livraria Clássica Editora, Lisboa
Sarmento, Francisco Martins; A Mourama, Revista de Guimarães, n.º 100, 1990, pp. 343-353
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O MAÇO DE TABACO por Ruy Serrano |
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Foi na idade pré-adolescente que tive a primeira percepção da maldade e da mentira. Num qualquer dia de brincadeiras com os meus amigos, Alberto, Jorge, Carlos e João, deu-se um episódio marcante na minha vida. Decorria a década de 40 em Cabinda.
Brincávamos à macaca no chão de terra fronteiro ao casarão de madeira que meu pai adquiriu aos ingleses, nos primórdios do século XX, quando o Jorge me lançou um repto:”Rui, vai à tua loja e tira um maço de tabaco para nós fumarmos.” A casa onde nasci fora construída pelos ingleses no início do século XX e era uma obra de arte colonial, de madeira e coberta a zinco, sem forro, em que coabitávamos com baratas, osgas, ratos e até por vezes cobras. Não vou descrever os pormenores arquitectónicos deste monumento - hoje inexistente por imposição do regime colonialista -, mas direi apenas que era coberta a zinco, sem forro, assente sobre blocos de pedra recuperados dos escombros do forte de Santa Maria de Cabinda e que, para além de inúmeras divisões amplas, dispunha de uma loja a abranger toda a parte da frente, emoldurada por uma varanda guarnecida com um gradeamento de madeira. Esta casa consta dos livros de postais de Cabinda e Angola do século XX.
Respondi-lhe, determinado: “Não penses nisso, que meu pai não vai deixar que o faça e depois castiga-me”. Jorge insistiu sugerindo que para despistar, devia servir de pretexto recolher “ginguba” (amendoim) e banana para o meu lanche habitual. Para me manter fiel e agradar à minha turma de amigos, arranjei coragem e segui o esquema delineado. Entrei na loja e coloquei a ginguba no bolso esquerdo dos calções e descasquei a banana, tirando o maço de tabaco. Quando me esgueirava para o exterior da loja, senti uma mão agarrar com firmeza o meu braço esquerdo e a voz acusadora de meu pai: “Anda cá meu maroto, pensavas que eu não dava pela tua malandrice?” Sem perda de tempo deu-me uma série de sopapos que me deixaram em pranto, não tanto pela dor mas pela vergonha de ter sido surpreendido num acto reprovável em que perdi de momento a confiança de meu pai.
Este episódio teve uma influência decisiva na minha vida, por ter tido pela primeira vez conhecimento da maldade e mentira dos homens e ter passado a abominar definitivamente o consumo de tabaco, nunca tendo fumado, dando por boa e decisiva a acção correctiva de meu pai, quando me apercebi mais tarde e hoje que há muitas vítimas do consumo destemperado do tabaco.
ruy.mhserrano@netcabo.pt |
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A. Pais Dias |
Pena de Cordel - INTERROGATIVOS INDISCRETOS
Portugal, da bandeira das cinco quinas,
conta, também, com cinco imortais
padroeiros, patronos, protectores: S.
António de Lisboa, padroeiro de Portugal,
dos afamados e dos pobres; Santa Isabel
de Portugal, padroeira de Portugal, da
paz, das vítimas de adultério e outros; S.
Francisco de Borja, padroeiro de Portugal
e conquistas; Imaculada Conceição de
Nossa Senhora, padroeira de Portugal, da
Espanha e das Índias; S. Jorge, patrono de
Portugal. Famosos, pobres, adulteradas,
conquistas territoriais, paz.
Conquistas...já não, adulteradas...cada vez
mais, famosos - ricos... os mesmos com
mais, pobres...cada vez mais com muito
menos, e paz... a única que nos vai mantendo
distraídos ou estressados. Quando
teremos outro tanto de pão, ainda tão
escasso? Estarão os cinco santos a interceder
por nós? Ou estarão tão incomunicáveis como os nossos governantes?
Era padre anglicano, profissão que exercia na alta igreja teologal, tinha namorada secreta
com quem preparava o casamento, e recebia cartas de muitas freiras a pedirem-lhe
conselhos espirituais. Que conselhos lhes terá dado? Protestantes, ou esposais?
Quando o governo reinante pensa em dar só meio dia de trabalho, para que o trabalhador
esteja mais forte para o dia seguinte, ou que haja mais pessoal empregado, ou que
os empregadores se gargalhem de contentamento? - Está a oferecer melhor qualidade
de vida ao empregado, ou a entregar todas as rédeas ao empregado? - Está a meter o
país na melhor ordem, ou está a engordar a Ordem Patronal?
Quando se vira político, leva-se a alma de distribuir por todos, por alguns ou somente
por si? - Quando se encosta ao poder, o político ( que pode não o ser) chega a substituir
a sua cadeira ou desvia-o para a carteira? - Em quantos dias do seu mandato, o
governante pensa no voto da eleição próxima e seguinte? E no seu compatriota pedinte?
Se parece prioritária a educação, a saúde e o pão não o são mais? - Que mais importa
na pequena pensão, se não for bem aumentada na próxima revisão? - Não tem o pensionista
que dar voto não?
Terá este governo social democrata cristão coragem para determinar a falência da
Radiotelevisão Portuguesa? E para privatizar a Radiodifusão Portuguesa? - E porque não
a tem para anular o pagamento abusivo da taxa da rádio? - E terá a ousadia de impor
portagens auto-estradais onde não estão previstas?
A questão espera resposta, mas a resposta não acalma a pergunta e, mesmo se lhe põe
um fim, ela não põe fim à expectativa que é a questão da questão ( Maurice Blanchot,
pensador do Século XX).
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Mj - AVALIE AS NECESSIDADES DE SEUS PAIS II |
Considere também a possibilidade de que para os seus pais é muito melhor morar na casa deles. No livro “Você e Seus Pais Idosos”, diz o seguinte: “Estudos têm demonstrado que os idosos permanecem mais joviais e mais ativos e dinâmicos na sua pr6pria casa do que em qualquer outro lugar, em suma, muitas tentativas mal orientadas de tornar mais fáceis os anos declinantes serviram apenas para acelerar o declínio". Portanto, ajude seus pais a viverem o mais independente possível, ao mesmo tempo que lhes providencia os cuidados e os serviços de que realmente necessitam. Faça também reavaliações e reajustes periódicos,à medida que as necessidades de seus pais aumentarem, ou mesmo diminuírem. Levando-se em conta a saúde e as circunstancias de seus pais, pode ser que trazê-los para morar com você seja afinal a melhor opção, neste caso, seja sensível à possibilidade de eles preferirem fazerem eles mesmo tudo o que estiver ao seu alcance. Como pessoas de qualquer idade, provavelmente desejam ter a sua pr6pria identidade, seu próprio programa de actividades e seu pr6prio grupo de amigos, isto pode ser saudável. Embora seja agradável fazer algumas coisas em conjunto como família ampliada, pode ser bom você reservar algumas atividades apenas para sua família imediata e permitir que seus pais também tenham as suas próprias atividades. Ao procurar discernir as reais necessidades de seus pais, fale com eles, dê ouvidos ás suas preocupações e seja sensível ao que talvez estejam tentando dizer-lhe. Explique-lhes o que você pode e o que não pode fazer por eles, de modo que não se sintam feridos por falsas expectativas. Se fizer uma promessa de longo prazo torne claro que vai tentar por um período a ver se funciona, assim se isso se mostrar impraticável a porta já está aberta para uma reavaliação. Nada do acima deve ser tomado como razões para privar os pais da honra e da assistência que lhes são devidas. Se cuidar dos pais lhe causa algumas pressões, especialmente algumas que você não esperava, talvez tenda a sentir-se culpado, talvez se pergunte: Há algo de errado no meu relacionamento com os pais? Não vivem os adultos em muitas culturas felizes com os seus pais por toda vida?
Bem, a sua situação talvez seja diferente, seus pais talvez vieram a morar na sua casa depois de 20,30,40 anos ou mais vivendo separados de você, isto significa que você e seus pais formaram estilos de vida e hábitos separadamente na maior parte de suas vidas.
No decorrer de varias décadas, esses estilos de vida e hábitos talvez se tenham tornado diferentes, mas agora, na qualidade de alguém que dá assistência, você se confronta com a necessidade de amalgamar a sua vida harmoniosamente com aqueles que estão aos seus cuidados, isto pode ser mais difícil do que se vocês tivessem vivido juntos o tempo todo. É possível também que alguns pais estejam muito doentes, ou que de outras maneiras necessitem de cuidados mais especiais, embora você elogiosamente esteja suprindo o necessário e não veja no momento a necessidade de internar seus pais num lar ou numa clínica, é compreensível que esta situação cause pressões diárias sobre todos vocês, dar assistência a seus pais é natural e um dever como filho. |
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| Mario Nunes - O Livro e os Direitos de Autor: Reflexão |
Organizam-se, actualmente e mais acentuadamente nesta época do ano e em quase todo o País, feiras e festas do livro. São iniciativas dignas de todos os encómios porque permitem o acesso dos cidadãos em locais públicos e sem formalismos ao contacto das diferentes publicações. São montras de títulos e centenas de autores que ficam ao alcance das pessoas, ajudando, quantas vezes, a iniciar uma leitura, recuperar um hábito, conhecer um escritor e avaliar a grandeza de uma indústria que emprega milhares de indivíduos. Enfim, são lugares temporários de cultura, de encontro, de troca de ideias, de negócio e de promoção do homem.
As feiras e festas do livro ganharam amplitude e enraizaram-se, sobretudo a partir da deliberação da Conferência Geral da Unesco, de 15 de Novembro de 1995, que instituiu o dia 23 de Abril, como o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Nessa altura, o Director-Geral envia uma mensagem a assinalar o dia. Este ano salientou que “o futuro do livro e dos direitos autorais é uma questão que diz respeito a todos nós. Toca aos cidadãos que esperam por um mundo melhor no qual o conhecimento seja compartilhado e os valores da tolerância, solidariedade e diálogo possam florescer, logo o acontecimento não pode ser deixado, somente, aos especialistas, autores, editores e educadores”. Exige o envolvimento geral.
E, a sugestão é tanto mais pertinente, quando se assiste a uma época de crescimento exponencial de redes electrónicas e de televisão e o livro se assume como instrumento significativamente útil para a expressão da identidade cultural, porquanto a sua distribuição contextualiza uma importante diversidade cultural, em que os tradutores são, também, elementos indispensáveis ao diálogo intercultural. O livro apresenta-se, assim, como meio de informação, de formação, de reflexão crítica e de educação. Sustenta o edifício formado pela democracia, pelos direitos humanos e liberdades fundamentais e assegura a protecção dos direitos dos autores, bem como o acesso público e justo aos seus trabalhos. O livro, uma força impulsionadora da criatividade de todos os povos, desempenha uma missão inquestionável na batalha pela paz.
A data é sempre momento especial para tecer as mais diferentes considerações sobre o livro e o autor. Devemos recordar, contrariando as preocupações que se têm divulgado nos últimos tempos, que o direito de autor não desapareceu com o advento da Internet e de outras inovadoras tecnologias, embora se desejem novas formas de defesa como aconteceu no decorrer dos anos. Lembrar que o conceito de propriedade intelectual remonta ao tempo da Grécia Antiga e o Reino Unido e outros países criaram, há mais de 500 anos, leis de patenteabilidade e direitos de autor, objectivando proteger a propriedade intelectual. E, recentemente, a directiva europeia que Portugal aprovou no Parlamento, pretende conciliar o direito com a tecnologia e não prejudicar direitos.
A reflexão exige-se, face à velocidade de inovação com a edição electrónica, o surgimento de obras para leitura no ecrã de dispositivos portáteis de leitura de textos digitalizados, a multiplicação de publicações em diversos formatos e linguagens, outras maneiras de divulgar as ideias e valores impressos em livros e o desenvolvimento de software para potenciar condições dessa “nova leitura”.
Como escreveu Clifford Lynch: “ como vamos pensar os livros no mundo digital e como irão comportar-se? De que modo vamos usá-los, partilhá-los e em que termos nos vamos referir a eles? Quais as nossas expectativas sobre a persistência e permanência da comunicação humana com base nos livros, à medida que entramos num novo mundo digital? Irá desaparecer o livro tradicional? Portanto, assegurar a sucessão do livro na hora electrónica não é apenas procurar reproduzi-lo do modo mais fiel possível, é também explorar as novas potencialidades oferecidas pela digital, é ter em consideração a ruptura fundamental que ocorreu entre o texto e o seu suporte, passar do livro-objecto ao livro-biblioteca, ao livro interactivo, ao livro em rede, ao livro multimédia, como esclareceu Jean Clement, em recente jornada sobre o assunto. Por isso, importa reflectir sobre o que será o futuro do livro e acompanhar a opinião de Derrida “existirá como sempre, coexistência e sobrevivência estrutural de modelos passados no momento em que a génese faz surgir novas oportunidades. A nova economia faz coexistir de um modo dinâmico uma multiplicidade de modelos, de modos de arquivo e de acumulação. E, isso, é, desde sempre, a história do livro”.
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