
MARCO DA PRAÇA
CARTAS AO DIRECTOR
"O Castanheirense" acolhe e incentiva a livre participação dos leitores na discussão de temas de interesse colectivo através da secção "Correio dos Leitores - Marco da Praça".
Os textos só serão considerados se vierem dactilografados ou em formato informático, a fim de evitar interpretações erradas. Não deverão exceder o equivalente a uma ou duas folhas de papel formato A4.
Este texto constitui a reprodução integral do original enviado pelo nosso leitor, Sr. Armando Vaz Pontífice
A Descentralização
No ano 2007, o governo actual, planeou a continuação de reformas, no sector da descentralização para o ano 2008, mas até ao presente momento, apenas vimos as labaredas, o fumo não chegou a sair pela chaminé.
Entre as conhecidas formas de liberdade, delas fazem parte a descentralização, que de uma maneira geral, contribuem para a riqueza das regiões, se tivermos em conta, a transferência de competências de um organismo central a outros organismos regionais ou locais, ao contrario de ideias politicas, que favorecem a concentração de empresas, serviços e organismos, para grande centros urbanos.
É compreensível que para maior progressão e desintoxicação administrativa e uma melhor qualidade nos serviços, será necessário dividir pela maioria das regiões do nosso país, várias competências do Estado e que as mesmas regiões, sejam reorganizadas em concelhos generativos e colectividades locais, tornando-se uma razão de luta, contra a burocracia estatal, e a desertificação das camadas mais jovens, que vão procurando nos grandes centros urbanos, a integração na vida profissional, contribuindo para uma maior pobreza das regiões.
Para uma melhor reorganização das regiões, haverá necessidade de conciliar o interesse geral com a vontade do povo, ou seja, uma governação mais humana e mais próxima do cidadão, e um poder económico que funcione nas regiões como elemento de governação, com a colaboração das autarquias, Governador Civil, e criar um Presidente para as regiões, em conformidade com o governo Português, sendo um sistema democrático que contribuirá para menos de estado e mais corporativismo.
Convencidos ficamos, que uma maior descentralização, representa uma menor desertificação nas regiões, tornando-as mais fortes, e responsáveis do bem comum, o que significa associar os cidadãos às suas decisões.
Armando Vaz Pontífice
GLOBALITARISMO
Mais fácil e menos comprometedor é estudar e divagar sobre a violência dos outros ou de outros tempos, não que seja desnecessário, ao contrário. Atua-se para que não esqueçamos experiências fascistas, ditatoriais e outros tantos exemplos de totalitarismos. Mas, com raras exceções, para-se com o objetivo de ter um olhar mais atento sobre o Globalitarismo - expressão criada pelo estudioso Milton Santos, que conjugou Globalização com Totalitarismo. Este, o Globalitarismo, atualmente, condena à desesperança etnias, países ou mesmo continentes.
Teme-se que as populações mais pobres, as que, sem acesso aos mínimos bens materiais e imateriais, resolvam lutar não só pela sobrevivência imediata, mas por dignas condições de vida. Lembremos que esta não é uma opção pessoal dos expropriados. Mas, uma condição imposta pela minoria dos cidadãos que detém o poder de decidir a vida de milhares de pessoas e, por que não dizer, o destino da humanidade e do planeta.
Talvez a violência física é a mais perceptível. No entanto, há outras violências que geram esta e que num olhar direto não são visíveis. É necessário leitura e reflexão para interpretá-la. Entre elas pode-se citar a concentração de bens pertencentes a toda a humanidade e não apenas a minoria que destes se apossou.
A globalização no discurso dos que se apoderam dos bens da Terra está levando a rápida destruição do planeta e toda a forma de vida.
Propagar ideias que escravizam pessoas ao consumo ilimitado e contínuo, é outra forma de violentar. Estimular a compra exagerada de produtos não essenciais à vida deveria estar na lista dos crimes contra a humanidade e contra o frágil e pequeno planeta Terra, que também tem gritado por socorro.
Crianças desde a mais terna idade são provocadas ao vício da compra. Este processo vem acompanhado de uma etiqueta cruel: o estigma aos que não tem o poder de possuir o produto. Provocando outras violências para então obter os bens vendidos com rótulos de felicidade e bem estar. Este, dura pouco, apenas o tempo programado para criar e manipular o próximo desejo de aquisição. E assim a espiral da violência ideológica vai circulando continuamente.
Quando em última instância, bem estar e felicidade estão ancorados a bens desatrelados ao capital e interdependentes ao companheirismo, ao cuidado com o próximo, ao compromisso com o ser humano e tudo o que o envolve. Estas práticas globalizadas são as verdadeiras raízes de um mundo globalizado de justiça e bem estar para com todos. È o desafio maior.
ANA KIEWEL - Brasil