Casa do Tempo

Exposição de Pintura de Anka Van Dorp na Casa do Tempo de 29 de Fevereiro a 25 de Março

Como espaço que deve primar pela diferença e contribuir para a divulgação da arte contemporânea, a Casa do Tempo não dispensa a oportunidade de apresentar regularmente animados momentos de cultura e, por isso, prepara-se para abrir as suas portas a uma exposição onde Anka Van Dorp enaltece a arte da pintura e nos alicia com propostas de cor que nos obrigam a parar para apreciar o talento desta pintora holandesa.

A viver em Portugal desde 1998, Anka Dorp confessa-se uma seguidora da corrente pós-impressionista e a sua obra revela, acima de tudo, um fervor cromático enriquecido por uma iconografia complementar em que a artista procura o perfeito exercício da composição plástica. Sob um ambiente clássico, Anka coloca a figura feminina no primeiro plano e, com um toque subtil exacerbado por uma certa leveza que as cores claras e fortes lhe conseguem emprestar, avança para a melancolia dos rostos, a sua inocência, os seus sonhos, revelando um universo de ideias, sentimentos e mensagens carregadas de valor estético e simbólico. A sua pintura é uma festa multicolor e, na fusão do realismo robusto com a subtileza das curvas, adivinham-se obras que estimulam os sentidos e despertam no observador uma sensação de alegria indiscutível.

Cada quadro projecta um poema de luz e imagem e é, nas entrelinhas das cores e das formas que escreve na tela, que Anka Dorp se dá a conhecer ao público e nos deixa perceber os motivos porque esta exposição merece particular destaque da Casa do Tempo de 29 de Fevereiro a 25 de Março, de Terça a Sexta das 10h00 às 19h00 ou aos Fins-de-Semana e Feriados das 10h00 às 13h00 - 14h00 às 18h00.

 

A Pintura de Anka Van Dorp

Para Anka Van Dorp a pintura é uma forma de captar um movimento, uma expressão, um instante da vida… Tal como Pechstein, Dufy e outros seguidores do pós-impressionismo, esta artista prefere investir numa produção pictórica que enfatize a cor como elemento principal e que lhe permita criar composições modernas em que se busca, especialmente, a sensação que a obra desperta artista e no espectador.

Com uma constante entrega ao estudo da luz e da cor, Anka Van Dorp desafia-se a evoluir gradualmente no exercício artístico e a sua pintura transfigura-se à medida em que liberta a sua imaginação prodigiosa e que procura trabalhar temáticas simples e directas resgatadas do ambiente quotidiano. A simplicidade da gente do campo, a naturalidade das paisagens e a beleza da figura feminina sobrepõem-se como temas de eleição e, sem se preocupar tanto com uma representação fiel da realidade, Anka estende na superfície da tela uma linguagem visual que promove a recuperação do estilo clássico e que resulta, em última análise, em quadros carregados de uma iconografia intensamente colorida que deixa transparecer uma mensagem de optimismo, de alegria e movimento.

Concentrada na pintura, Anka Dorp encarrega-se também de buscar a sua própria tranquilidade e, obra após obra, deixa florescer uma linguagem pictórica autónoma, acabando a sua arte por decorrer, antes de mais, de uma procura apaixonada do máximo que pode ser extraído da conjugação do uso do pincel e da tinta. Assim sendo, pode-se dizer que a pintura de Anka Dorp possui uma força invulgar de vitalidade, a qual se manifesta no realismo robusto, na subtileza das curvas e numa espantosa euforia da cor. De um modo equilibrado, esta pintora holandesa concilia a técnica com um resultado de grande impacto visual e segue uma obra plena de sensualidade e poesia que a todo o instante a convida a integrar o círculo dos artistas contemporâneos que conhecem o grato sabor do sucesso.

Casa do Tempo / Sónia Tomás

 

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