
Coluna do Consumidor
Por Castro Martins
Presidente da ACOP – Associação de Consumidores de Portugal
Publicidade de alimentos para crianças
Nos dias de hoje cada vez se fala mais de alimentação saudável. Existe um sem número de revistas e jornais a falar de alimentação chamando a atenção para os perigos que todos correm se não tomarem alguns cuidados com a boca.
No que se refere aos jovens, tem surgido, ultimamente, em destaque, quer na imprensa escrita quer na televisão, o problema da obesidade na camada mais jovens, com sérias repercussões na saúde, na juventude e idade adulta.
Ora as crianças são seduzidas mais que os adultos pelos alimentos apresentados em pacotes que impressionem os sentidos e sobretudo pelos brindes gratuitos incluídos nas referidas embalagens.
E os fabricantes dos alimentos destinados a crianças recorrem a toda a espécie de publicidade para atrair os jovens.
Ele são os bonecos para os mais jovens, ele são os artistas de cinema e televisão mais conhecidos, ele são os jogadores de futebol, etc, etc.
E a gama de alimentos publicitados concorre, sem dúvida, para o aumento da obesidade, com muito sal, açúcar ou gordura, chocolates, batatas fritas, bebidas não alcoólicas, refeições de "fast food" ou comida sintética e até alimentos com a indicação de fraco valor nutritivo, o que não corresponde à verdade, muitas vezes.
Ora, a Organização Mundial de Saúde e a FAO têm chamado a atenção para esta dieta nada saudável.
As crianças são muito influenciadas pela publicidade, sobretudo televisiva e será bom que os pais se preocupem com as preferências dos filhos dando-lhes conselhos sobre o prejuízo que lhes poderá advir se continuarem com esse tipo de alimentação.
Seria bom que as nossas televisões não bombardeassem as crianças com estes anúncios até uma determinada hora, sobretudo os dirigidos a crianças até pelo menos, 12 anos, como já aconteceu na Suécia.
Todos, adultos e jovens e sobretudo os pais das crianças devem procurar conhecer os alimentos que os seus filhos consomem, com o dinheiro da semanada, e verificarem os ingredientes que os mesmos contêm. Vão deparar com aditivos químicos iguais aos adoçantes artificiais. Os rótulos são, muitas vezes um logro. Devem ler as letras miúdas.
Não fica mal um conselho. Resulta com certeza, melhor que uma proibição.
Os fabricantes incluem os brindes grátis com nomes célebres para atraírem as crianças e não para garantirem a qualidade dos alimentos.
A regulamentação nesta área ainda não existe e seria bom que os governos se preocupassem mais com a saúde dos homens de amanhã. Mas não podemos, de maneira nenhuma, alijar toda a responsabilidade para o Estado. Sejamos todos responsáveis, incluindo as crianças.
(Artigo publicado no numº 1759 d’ O Castanheirense)