BIOGRAFIA DE PESSOAS CÉLEBRES (IX)

por Adriano Coelho

Rembrandt Van Rijn
 

(15 de Julho de 1606 – 4 de Outubro de 1669)

 

Vida pessoal e artística – Rembrandt é considerado um dos maiores pintores de todos os tempos, com uma produção prodigiosa, a que pertencem mais de 600 pinturas, 300 águas-fortes e quase dois mil desenhos. Actualmente, não há um grande museu que não tenha uma obra sua. Os seus retratos são admiráveis quanto à sua profundidade psicológica, só em auto-retratos deixou cerca de cem. A extraordinária representação mágica da luz afronta qualquer explicação objectiva e não tem paralelo na história da arte pictórica mundial. A sua actividade artística compreende três períodos: o primeiro, caracteriza-se pelo naturalismo e pelo esmerado zelo com que trata os pormenores, são obras-primas dessa época Apresentação no Templo e Lição de Anatomia do Dr. Tulp; o segundo, as obras são manifestamente enquadradas pelo sentimento de unidade, deste período faz parte o seu quadro mais famoso, A Ronda Nocturna, que pela riqueza de colorido é considerada uma das máximas obras da pintura mundial; o terceiro período define-se pela expressão livre retratada, despindo o pintor os efeitos dramáticos do barroco, para cuidar mais da profundeza do tema, deste tempo são A Família do Moleiro, Retrato de Rembrandt Velho e Cristo Curando o Doente.

O "divino e perclaro" Rembrandt nasceu na cidade holandesa de Leiden, era filho de um moleiro e da filha de um padeiro, e aos 25 anos mudou-se para Amesterdão e estabeleceu-se como retratista, aplicando a formação artística que havia tido na sua cidade natal. As primeiras obras realizadas abriram-lhe as portas para vastas encomendas, tendo mesmo recebido no seu atelier muitos alunos, que lhe pagavam bem, e pode dizer-se que ganhava bastante dinheiro com os seus trabalhos.

Rembrandt era uma pessoa extravagante, de hábitos perdulários, não se coibindo de forma alguma de coleccionar jóias e antiguidades. Como não se importava em administrar o seu dinheiro, viu-se confrontado, em 1639, com sérios e continuados problemas financeiros, que o obrigaram a declarar falência: a sua casa e bens tiveram que ser vendidos em leilão, em 1659. É interessante lembrar-se que o famoso pintor holandês casou-se, em 1634, com uma herdeira rica, Saskia Uijlenburgh, que morreu tinha 30 anos, deixando-lhe um filho, Titus, que foi o único dos seus quatro filhos a chegar à idade adulta. Uma cláusula do seu testamento estipulava que o viúvo perderia a renda da sua propriedade se se casasse outra vez. Depois da morte prematura do seu filho, o pintor tornou-se cada vez mais isolado e, embora a visão estivesse a decair progressivamente, deve reconhecer-se que nunca deixou de se desenvolver o seu enorme talento artístico. As suas maiores obras foram feitas aproximadamente no último ano de vida.

Vida amorosa – Os seus concidadãos descreviam Rembrandt como feioso, de orelhas proeminentes, nariz achatado, boca com lábios grossos e sensuais. Houve três mulheres que o amaram devotadamente, escrevendo-se na época que Rembrandt respondia à afeição delas sem grande paixão, usando-as mais por conveniência do que por amor, pois considerava expressamente que, acima de tudo, era "casado com a sua arte".

O seu casamento, aos 28 anos, com Saskia trouxe-lhe riqueza e contacto com uma classe social alta, que lhe abriu as portas a uma sociedade fidalga bem pagante, mas que o seu estilo inovador e introspectivo de pintura pouco lhe dizia e até nem era elogiado intramuros, conquanto internacionalmente fosse famoso e aplaudido sem rebuços.

Depois da morte da sua mulher, Rembrandt fez sua amante a enfermeira de Titus, de 10 meses, muito amiga da família, Geertghe Dircz, que foi uma boa madrasta deste filho do absorto pintor e que não regateava os trabalhos domésticos, elogiada por tal pelo falido companheiro.

Rembrandt apaixonou-se, uns tempos depois, por um jovem modelo, Hendrickje Stoffels de seu nome, ostensivamente, que levou, enciumada, ao afastamento de Geertghe, que processou o popular pintor por quebra de promessa, tendo a magistratura de Amesterdão ordenado que ele lhe pagasse uma pensão de 200 florins por ano.

Hendrickje teve uma afeição muito especial pelo agraciado quão reconhecido e maior retratista europeu, atendendo às suas necessidades, servindo prestimosamente de modelo e dando-lhe uma filha que muito o encantou. Era mais bonita que Saskia, roliça de pernas e cintura, de cabelo vermelho e totalmente destituída de egoísmo. Em 1654, a companheira de Rembrandt foi chamada ao tribunal eclesiástico de Amesterdão, cujos juízes a exortaram contra a relação ilícita com o artista, e a excomungaram sem atenuantes. Teve de enfrentar essa provação, autêntica humilhação na virtuosa e moralista sociedade holandesa de então, sozinha, pois Rembrandt marimbava-se perante a hipócrita e formalista Igreja, não a acompanhando nesse imbróglio. Ainda assim, ela permaneceu-lhe totalmente solidária até morrer, em 1663.

Pode dizer-se que Rembrandt nunca se deixou prender demasiado às mulheres da sua vida, mas temos de considerar que ele as retratava como deusas. Pintou nus femininos em que se destaca a combinação da sensualidade com uma ternura inegável, mostrando admiração e encanto pelas formas femininas, individualizando tanto os corpos como os rostos das mulheres. Rembrandt sempre defendeu que tudo o que fosse humano era apropriado para a arte, mesmo o amor físico, chocando os puritanos seus contemporâneos com muitas das suas pinturas "licenciosas".

 

 

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