MARCO DA PRAÇA

CARTAS AO DIRECTOR

 

 

"O Castanheirense" acolhe e incentiva a livre participação dos leitores na discussão de temas de interesse colectivo através da secção "Correio dos Leitores - Marco da Praça".

Os textos só serão considerados se vierem dactilografados ou em formato informático, a fim de evitar interpretações erradas. Não deverão exceder o equivalente a uma ou duas folhas de papel formato A4.

 


 

Este texto constitui a reprodução integral do original enviado pelo nosso leitor, Sr. Armando Vaz Pontífice

 

À Procura de um Ideal

Ao desfolharmos o livro da vida, sobem ao nosso mental, ideias imprimidas e corrente sucessivas de opiniões que se formam como vagas de oceano, e, se dissipam pela força do vento, na abobada celeste do firmamento.

Com os pés bem assentes numa outra sociedade europeia – fomos alvos de varias acusações sobre o profissionalismo que exercíamos nesse País, ouvindo com frequência: Vós dais do vosso melhor no estrangeiro - mas no nosso País, não vos entregais a fundo no vosso trabalho.

À procura de um ideal, saímos da nossa região um grupo solidário de quatro companheiros, seguindo os passos dos nossos compatriotas do passado, para valorizarmos o nosso potencial humano, encontramo-lo num País chamado França, nossa Mãe adoptiva ou de coração.

O tempo de um fim-de-semana, e várias ofertas de trabalho individuais chegaram até nós, e a separação do nosso grupo nos parecia inevitável, forçados a cortar o cordão umbilical e a separarmo-nos pelas várias regiões do país. Mas os nossos colegas não o entendiam dessa orelha - firmes na convicção de continuarmos reunidos no mesmo trabalho, mas ao cair da noite, caiu a sentença, ficamos nós reunidos no mesmo trabalho, mas não nos oferecia grandes perspectivas para o futuro.

Depois da reorganização do Mercado Único Europeu, aumentarão as facilidades para o cidadão candidato à emigração, de se instalar num país da sua preferência: a convenção preparada pelos Estados Membros da União Europeia, diz-nos o seguinte: artigo 4, alínea 1 – é permitido a livre circulação de pessoas e bens aos membros da união garantidas conforme a constituição, Artigo 8 alínea 2, os cidadãos da união usarão os direitos previstos pela constituição de livre circulação, e de se instalarem livremente no território de todos os estados membros.

Este pacto convencionado exige do candidato à emigração, um bilhete de identidade em normas legais, e condições materiais para conseguir alojamento, em seguida terá facilidades de encontrar um trabalho pela sua competência, enquanto que a inscrição para os direitos da segurança social, são da competência do futuro patrão, garantindo além fronteiras uma melhor formação profissional e uma tripla extensão nos conhecimentos e observação, do domínio intelectual, com vantajosas condições familiares, e um auxilio de proximidade no seguimento da formação escolar dos seus filhos.

Armando Vaz Pontífice


Vós dois do vosso melhor no estrangeiro

Após Reflexão, emitimos nesta significação um sentimento desolador, pela ignorância no proposto de tais afirmações como se não existisse uma melhor organização no sector do trabalho, e uma maior repartição de bens materiais, por esse mundo fora.

Desde o primeiro dia de trabalho em terras Francesas, chegaram até nós variadas surpresas, começando com horários de 8 horas consecutivas, com direito a uma paragem de 20 minutos, para ligeira refeição, tudo em turnos alternados, das 5 da manhã as 13 horas, em seguida terminava o segundo turno às 21 horas a partir desse momento até as 5 da manhã, as horas são consideradas de noite taxadas a outro valor.

No turno da madrugada pelas seis horas da manhã, havia uma ligeira pausa, na chegada de grandes cafeteiras de inox brilhante cheias de café, distribuídas as mesmas, pelas varias secções de trabalho, um agradável momento de convívio com os colegas franceses.

Rapidamente o nosso interprete de Português – Francês, nos metia em jogo dizendo, sabei que neste país a grande maioria das empresas trabalham à produção, por cada série estão estipuladas um número de peças para serem feitas cada hora – multiplicadas por oito horas, tereis o vosso dia ganho – em seguida tereis uma margem favorável para vocês trabalharem à percentagem – conseguireis normalmente entre 25 e 30% do vosso trabalho global, estipulado nas oito horas que será vantajoso para vocês, e para o vosso patrão.

Aqui reside o nosso empreendimento ao trabalho em terras estrangeiras, em 40 horas de trabalho semanal, ganhar um salário e acumular uma valorizam-te percentagem, sobre o valor do regime de produção global – noutras palavras dizemos – o trabalho depende de ti – mais trabalhas mais ganhas.

Existe um conjunto de regalias favoráveis para valorizar o trabalho, mencionando no contracto de trabalho, em harmonia com o patronado – ministério do trabalho, e parceiros sociais – para além dos benefícios do trabalho à produção, existem outras clausulas em vigor estabelecidas no contrato como a assiduidade ao trabalho, ou presença regular no trabalho, com certa percentagem na folha de pagamento, assim como se diz que a antiguidade é um posto, também nas empresas a partir dos 3 anos direito a 3% sobre o salário global, 6 anos, 6% num máximo de 15 anos, 15%, igual para todas as classes de trabalhadores, como hoje em dia o trabalho não se encontra perto da soleira da nossa porta, para as grandes distancias do limite das nossa casas, haverá subsídios de deslocação pagos ao Km.

A partir dos três anos de antiguidade o trabalhador, terá o direito ao 13º mês por inteiro, nas médias e grandes empresas não esquecendo 5 semanas de congés ou férias a que o empregado tem direito etc.

A medicina no trabalho é um direito nacional, à qual o trabalhador deverá submeter-se, para ser examinado cada ano que passa por convocatória, num consultório da medicina de trabalho do seu conselho, sendo um acto gratuito na hipótese do utente ser considerado inapto ao trabalho por uma junta medica poderá ser reformado directamente nesse serviço de utilidade profissional.

Armando Vaz Pontífice


 

No vosso país não vos entregai a fundo no vosso trabalho

Somente num País como a França, entre as várias gerações, estão localizadas mais de 1 milhão 250 mil emigrantes portugueses, a grande maioria poderão testemunhar de reconhecimento a esse País, assim como as vantagens profissionais que lá exerceram. Ao desenvolvermos uma parte dos direitos mencionados no contrato de trabalho francês, não podemos esquecer que o salário mínimo na Comunidade Europeia ronda em média os 920 euros mensais, salvo seja em Portugal, onde se pratica o salário mínimo de 403 euros mensais, sem acréscimo de outras vantagens sociais. Em matérias de salário mínimo não deixaremos de recordar as promessas eleitorais de Monsieur Sarkozis – actual presidente de república francês, reconhecendo ele que o desenvolvimento para a grandeza de um país, passa pelo substancial poder de compra da massa salarial, prometendo aumentar o salário mínimo mensal de 1.250 euros para 1.500 euros, por 160 horas mensais, sem esquecer o aumento das promessa feitas às pequenas reformas, tudo isto durante o seu mandato, nesse preciso momento daremos o resultado ao conhecimento geral.

Armando Vaz Pontífice


 

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