BIOGRAFIA DE PESSOAS CÉLEBRES (IX)

por Adriano Coelho

MARILYN MONROE
(1 de Junho de 1926 – 5 de Agosto de 1962)

VIDA E FAMA – O verdadeiro nome de Marilyn Monroe, o maior símbolo sexual feminino desde os anos 50 do séc. passado, era Norma Jean Mortenson, sendo filha de Gladys Monroe Baker, mulher emocionalmente instável, que trabalhava como secretária de produção de filmes em Hollywood, e do seu segundo marido, Edward Mortenson, de origem norueguesa e de trabalho incerto, que desapareceu logo a seguir ao seu nascimento. Norma Jean teve uma infância cheia de privações, tendo vivido os primeiros anos de vida num ambiente de pobreza. A mãe perdeu o emprego por causa da Depressão, anos em que a economia dos EUA passou por ruína tremenda, com a indústria e o comércio a falirem e o desemprego a grassar para milhões de trabalhadores, tendo Norma vivido até aos sete anos em casa de uma família amiga. Após Gladys ter criado melhores condições para ficar com ela, viveram as duas juntas até a mãe ter que ser internada num hospício psiquiátrico por evidente esquizofrenia, ficando Norma Jean à guarda da melhor amiga da mãe, Grace Coddard, dos 11 anos até casar aos 16, com Jim Dougherty, um operário protector e possessivo.

Desde muito cedo que se imaginava num mundo repleto de fantasias, em que os filmes que via nas matinées mais acentuavam tais desejos, sonhando que o seu pai era como o famoso actor Clark Gable, visualizando-se em histórias glamourosas, com cenas de sedução em ilhas tropicais, iates, palácios. A sua madrasta ouviu-lhe dizer que tinha um sonho muito constante, em que se via a tirar a roupa na igreja da congregação que frequentava amiudavas vezes, em que punha à admiração dos presentes toda a sua nudez esplendorosa…

Dougherty disse a familiares que Norma era virgem quando casou, contrariamente ao que ela afirmava, que tinha sido abusada sexualmente. De qualquer forma ela cansou-se de brincar de dona-de-casa e ficou aliviada quando o marido foi mobilizado para a guerra, em 1944. Quando trabalhava numa fábrica de armamentos, Norma Jean foi descoberta por um fotógrafo, que a pôs a posar para a sua câmara (segundo dizem, o seu único amor verdadeiro), revelando uma "mocinha" atraente, ávida em chamar a atenção, sensual, porém vulnerável, uma combinação de voluptuosidade e inocência natural.

Obcecada por sonhos de estrelato, divorciou-se e tornou-se modelo, aceitando a proposta de casamento do fotógrafo André Dienes, que se dizia apaixonado por ela. Em 1946, apresentou-se na 20th Century-Fox num teste mudo de filmagem, o impacto vislumbrado de sexy-symbol foi tão significativo que o estúdio de Hollywood contratou-a de imediato, tendo a futura artista cinematográfica aclarado o seu cabelo loiro e mudado o seu nome para Marilyn Monroe.

VIDA AMOROSA E SEXUAL - Iniciou aqui a sua aura de figura sexy. Não se deve esquecer que o meio hollywoodesco nos finais de 1940 era como um "bordel superlotado", onde o potencial artístico e publicitário na generalidade vivia a pensar em sexo todo o tempo e como Marilyn se definia a si própria, era o tema favorito nas conversas que tinha com os homens que lhe apareciam, aceitando a promiscuidade da sua conduta, desde que os homens fossem "bonzinhos", tendo preferência por parceiros mais velhos, bondosos, que fossem figuras paternais…

Foi assim que, conforme relatam os seus biógrafos, aceitou assinar contrato e criar amizade com o manager sexagenário Joe Schenck, que lhe oferecia jantares em restaurantes de luxo, regados a bom vinho, que lhe encheu o guarda-vestidos da roupa que ela foi escolhendo para eventos sociais, sem no entanto deixar de a convidar para sua casa para lhe dar lições de civilidade, mas que normalmente acabavam com os dois na banheira, com ele a "massajá-la" e a acariciar-lhe os lindos seios e com ela a lamber-lhe o órgão genital. Schenck apresentou-a a Harry Cohn, o patrão da Columbia Pictures, que depois do primeiro filme despediu-a, muito provavelmente por Marilyn ter rejeitado as suas exigências sexuais…

Quem naquela época a levou a apaixonar-se foi o seu instrutor de voz, Fred karger, que obteve os seus favores libidinosos, escrevendo posteriormente em revistas cor-de-rosa, que a jovem e prometedora actriz lhe havia pedido para se encontrarem em motéis e, muitas vezes, até dentro do carro dele tinham tido relações sexuais, que a gosto dela aconteciam em miradouros costeiros.

Marilyn Monroe era pateticamente insegura, gostava de se relacionar com homens de personalidade forte, porque, afirmava, depois de ter contactos íntimos com eles, sentia-se mais confiante, mais segura de si. Marlon Brando disse a amigos que ela lhe havia perguntado depois de terem fornicado, se tinha feito como ele esperava… Brincando com Sherley Winters, sua companheira de quarto por algum tempo, ela apresentou-lhe uma lista de homens com quem gostaria de dormir. Entre outros homens eminentes na altura, estava lá escrito Albert Einstein. Os seus biógrafos conferiram no seu legado uma foto do génio com uma dedicatória: "Com respeito e amor, obrigado."

O seu primeiro amante-herói foi Joe DiMaggio, o maior astro de todos os tempos do beisebol, que aos 37 anos se aposentou das lides desportivas, ainda em grande forma física, e que era a complementação adequada para a "loura dinamite" que se tornara superestrela com os seus filmes de repercussão mundial: "Os Homens Preferem as Loiras" e "Como Agarrar um Milionário", em 1953. DiMaggio era do tipo orgulhoso, dominador, de olhos faiscantes, que fervia em pouca água (que digam certos paparazzi…), com um código moral antiquado, e depois de terem casado, em 1954, sentiu-se ultrajado pela constante divulgação pública dos charmes sexuais da sua mulher, não aceitando que ela fosse uma estrela cinematográfica de uma Hollywood que ele detestava e não se coibia de o afirmar na Imprensa americana.

Toda esta polémica levou-a a pedir o divórcio, nem mesmo Frank Sinatra a demoveu de tal, fazendo que meses depois ela se transferisse para a Costa Leste americana, Nova Iorque, onde veio a relacionar-se com o dramaturgo Arthur Miller, que a fez esquecer o obsessivo narcisismo que tinha pelo seu corpo, sabendo-lhe fazer ver que o que a deprimia era o estereótipo de loura-sexy imposto pelos estúdios. Enfim, ela aceitou o seu pedido de viverem juntos, e casaram-se em 1956.

Os amigos deles ouviam-lhes coisas que os deixavam sinceramente encabulados, do jaez que Marilyn gostava de se observar em espelhos quando "coitava" com Miller, que nunca tomava banho antes de se deitar, salientando, com a cumplicidade do marido, que pintava os seus pelos da púbis de loiro, pois gostava de ser "loura todinha". A actriz começou a faltar e a chegar atrasada às sessões de filmagem que tinha que realizar, o que levava os produtores a gastarem bom dinheiros com esta conduta. Ela dizia que pouco dormia de noite e que só com barbitúricos é que já de dia o conseguia fazer. Arthur Miller confidenciou a amigos íntimos que várias vezes a socorreu de ela tomar doses acidentais em excesso desses narcotizantes… Depois da sua participação no filme "Os Desajustados", em 1960, os "Millers" divorciaram-se, profeticamente no dia em que John F. Kennedy foi eleito Presidente dos EUA.

Com 35 anos, sozinha e desesperadamente preocupada com a idade e a sua segurança sentimental, iniciou um caso amoroso com Yves Montand, seu co-protagonista em "Adorável Pecadora", que a desapontou terrivelmente por não querer deixar a sua mulher, Simone Signoret. Para recuperar desta paixoneta começou a fazer uma vida pouco recomendável, de bar em bar, frequentando diferentes hotéis, na companhia do jornalista dinamarquês Jorgen Lembourn, divertindo-se com o seu motorista bonitão, também com o massagista Ralf Roberts, "que é o único homem que me põe a dormir", confidenciava Marilyn, até cair nos braços de Frank Sinatra, mulherengo inveterado da vida nocturna nova-iorquina, cujas exigências sexuais e espírito protector a encantaram.

Acontece é que Sinatra apresentou-a aos Kennedy’s e a idolatrada sexy-symbol do cinema americano não perdeu tempo em ter um relacionamento íntimo e secreto com o Presidente dos EUA. Presentemente, sabe-se que começaram por se encontrar na casa de praia do cunhado de John F. Kennedy (JFK), em Santa Mónica, no Hotel Beverly Hills na Califórnia e até… no avião presidencial. Algumas vezes aparecia-lhe DiMaggio, jantando com a superestrela e acabando os dois num quarto de hotel, mas sempre reclamando da vida que ela fazia, contestando na Imprensa a carreira de Marilyn Monroe.

John Kennedy ficava excitadíssimo por saber que ela não usava roupa íntima, em muitas jantares que tiveram ela não se coibia de lhe levar a mão por baixo da mesa para o confirmar, afirmando às suas amigas, dando uma risadinha: "Acho que faço o Presidente sentir-se bem das costas…" Mas, tempos depois, o aborrecimento de JFK era enorme pelas chamadas contínuas que Marilyn lhe fazia, atrasos sucessivos a eventuais encontros, levando-o a rejeitá-la e a "passá-la" ao seu irmão Robert. Marilyn fantasiou um casamento com ele, depois de se sentir confiante a tal desfecho, mas RFK mandou trocar o número de telefone privado para não ter de atender as suas impertinentes chamadas. Ela sentiu-se desprezada e pensou, afirmaram as pessoas que com ela de perto privavam, em enviar uma declaração à Imprensa para "acabar com o nome dele".

Foi nesse Verão de 1962, quando o humor de Marilyn variava entre a alegria e o desespero, aliviado com pílulas e sessões diárias de psiquiatria, que se deu a morte inopinada da ainda sedutora superestrela. Suicídio? Assassinato? A sua vida fora duma repreensível irresponsabilidade, marcada por indesmentíveis tentativas de suicídio, que ter aparecido morta naquela manhã de domingo chocou todos os seus admiradores, mas não foi surpresa total. Houve boatos que tivesse havido crime, mas o que foi declarado pelo médico que atestou o óbito, dr. Engelberg, e que está exarado na Procuradoria, é "que ela se matou".

A deusa do amor morreu, ironicamente, por falta de amor.

 

 

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