Associação Humanitária dos Bombeiros
Voluntários de Castanheira de Pera

Introdução

 

Com a realização deste trabalho objectiva-se determinar a real situação económico-financeira da Associação em 31 de Dezembro de 2006.

 

Desta forma este trabalho será um instrumento importante de apoio à Direcção da Associação, pois irá permitir a tomada de decisões com base em informação económico-financeira fidedigna, elaborada de acordo com o POC – Plano Oficial de Contabilidade.

 

Assim, o trabalho consistiu numa análise exaustiva à informação financeira disponível relativa ao ano de 2006, de forma a obtermos uma Demonstração de Resultados e Balanço de 2006, elementos imprescindíveis a uma qualquer análise económico-financeira.

 


 

 

1. Considerações Iniciais

 

A realização deste trabalho foi condicionada por a Associação não ter as suas contas anuais de acordo com os pressupostos do POC – Plano Oficial de Contabilidade, o que não possibilitou um trabalho que consistiria numa análise dos resultados obtidos e procedimentos contabilísticos adoptados.

 

A informação financeira existente consistia apenas na elaboração de uma conta de gerência, que relatava unicamente os valores recebidos e pagos durante o ano, não nos facultando informação sobre a real situação financeira da Associação, pois desta forma não eram tidos em linha de conta os compromissos assumidos no ano em análise e a pagar nos anos seguintes, e serviços prestados no ano e a receber em anos futuros.

 

Desta forma, a única via de conseguirmos obter dados que nos permitissem efectuar uma correcta avaliação da situação económico-financeira da Associação, consistiu na elaboração de toda a contabilidade do ano de acordo com as regras do POC – Plano Oficial de Contabilidade.

 

Assim, para a realização de um trabalho desta índole, o período de tempo disponível foi escasso, o que levou a que fosse impossível obter, em tempo útil, uma avaliação fidedigna do património imobiliário (edifício – sede) da Associação.

 


 

 

2. Análise à Demonstração de Resultados em 31 de Dezembro de 2006

 

2.1 Demonstração de Resultados

 

 

 

2.2 Análise às principais rubricas de proveitos

 

Dado que, pelas razões já apontadas, não existem dados de 2005 de acordo com os pressupostos de contabilidade organizada não será possível efectuar uma análise comparativa, sempre importante numa análise às contas de uma entidade pois permite detectar tendências na evolução da situação económico-financeira dessa entidade e assim fazer previsões para o futuro.

 

Desta forma procedemos no quadro e gráfico seguintes a uma análise do peso de cada uma das rubricas de proveitos no total de proveitos da Associação.

Conforme se pode constatar pela análise do quadro e gráfico anteriores a parcela mais significativa nos proveitos da Associação diz respeito aos subsídios de exploração, que representam mais de 70% do total dos proveitos.

 

Nos subsídios de exploração destacam-se as verbas recebidas do Serviço Nacional de Bombeiros e da Câmara Municipal de Castanheira de Pêra.

 

A outra rubrica com relevo é a prestação de serviços efectuada pela Associação, nomeadamente na área da saúde, que representa cerca de 22% do total de proveitos.

 

2.3. Análise às Principais Rubricas de Custos

 

Neste ponto iremos analisar a distribuição dos custos da Associação pelas várias rubricas de acordo com o Plano Oficial de Contabilidade.

 

Tal como foi referido em relação aos proveitos, não é possível fazer uma comparação com dados de anos transactos, centrando-se assim esta análise no estudo do peso relativo de cada rubrica de custos no total dos custos da Associação, objectivo para o qual iremos recorrer ao quadro e gráfico seguintes.

 

Através da análise do quadro e gráfico anteriores pode constatar-se que os custos da Associação se repartem em duas grandes rubricas: Custos com o Pessoal e Fornecimentos e Serviços Externos.

 

Esta é uma situação usual em associações deste tipo, contudo iremos nos pontos seguintes efectuar uma análise mais detalhada destas rubricas que representaram, em 2006, cerca de 95% do total dos custos.

 

2.3.1. Fornecimentos e Serviços Externos

 

Para que se possa analisar a evolução das várias sub rubricas que compõem os Fornecimentos e Serviços Externos apresenta-se o seguinte quadro:

 

Assim, através da análise do quadro e gráfico anteriores pode-se constatar que apenas duas rubricas, combustíveis e conservação e reparação, representam cerca de 70% do total dos Fornecimentos e Serviços Externos, correspondendo a um valor absoluto de mais de 70.000,00 euros.

 

Representam ainda um custo avultado as rubricas de Ferramentas e Utensílios, Comunicação e Deslocações e Estadas, todas apresentando valores acima dos 5.000,00 euros anuais.

 

Apesar de as rubricas com valores mais elevados corresponderem, em grande parte, a custos variáveis comparticipados pelo Serviço Nacional de Bombeiros, importa que, de futuro, seja feita uma gestão cuidada destes custos por forma a minimizá-los, sem comprometer a qualidade do serviço público prestado pela Associação.

 

2.3.2. Custos com o Pessoal

 

Esta é a principal rubrica de custos da Associação e aquela onde é mais difícil definir-se de forma objectiva uma política de racionalização de custos pela vertente social que envolve.

 

Tendo a noção de que nenhuma instituição consegue sobreviver eternamente apresentando prejuízos sucessivos, e de que para que tal seja superável torna-se crucial adequar a estrutura de custos à de proveitos, e se intervenções noutras áreas da Associação (aumento de subsídios e donativos e redução de Fornecimentos e Serviços Externos) se revelarem insuficientes, terá que se estudar a possibilidade de reduzir custos nesta rubrica, tendo sempre presente que tal redução não pode comprometer operacionalmente a missão da Associação.

 

No gráfico seguinte pode analisar-se de forma mais clara a distribuição de custos com o pessoal por rubricas:

 

 

Através da análise do gráfico anterior pode-se constatar que a verba mais significativa de custos com o pessoal está relacionada com pessoal eventual, essencialmente destinado ao apoio à campanha de combate a incêndios, sendo por isso uma verba variável e subsidiada por outras entidades.

 

Contudo, o valor relativo a pessoal permanente é bastante elevado, visto ser superior ao valor recebido pela Associação a título de prestação de serviços, pelo que importa efectivamente aumentar as receitas da Associação para fazer face a estes custos fixos, ou então diminuí-los.

 

2.4 Resultado Líquido do Exercício

 

Conforme pode ser analisado na Demonstração de Resultados constante do ponto 2.1, a Associação apresentou em 2006 um prejuízo de 17.348,66 euros.

 

Analisando os cash-flows gerados pela Associação durante o referido ano de 2006, podemos constatar que eles são negativos em 6.616,04 euros, ou seja, a Associação não está a gerar fundos para fazer face aos seus compromissos.

 

Conforme já foi referido esta é uma situação que deverá ser invertida a muito curto prazo, pois se é verdade que o objectivo final da Associação não é a obtenção de lucros, não é menos verdade que nenhuma entidade sobrevive indefinidamente a apresentar prejuízos, pois estes irão inevitavelmente traduzir-se numa incapacidade para fazer face aos compromissos assumidos com fornecedores, colaboradores e outras entidades, e a médio prazo poderão conduzir a Associação a uma vulnerabilidade financeira de tal ordem que esta deixe de ter condições para exercer a actividade para que foi criada.

3. Análise ao Balanço em 31 de Dezembro de 2006

 

3.1 Balanço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.2 Análise ao Balanço

 

O balanço reflecte a situação patrimonial da Associação em 31 de Dezembro de 2006.

 

A análise do balanço é, obviamente, influenciada pela não inclusão do valor do edifício propriedade da Associação pelas razões já expostas nas considerações iniciais.

 

Saliente-se contudo que a exclusão do edifício só influencia a estrutura patrimonial da Associação numa perspectiva de médio e longo prazo, não afectando índices importantes como o fundo de maneio e liquidez da Associação que apresentam contornos preocupantes.

 

Assim, da análise do balanço ressaltam os seguintes aspectos:

 

¾    Passivo de curto prazo muito superior ao activo de curto prazo, levando a que a Associação detenha um Fundo de Maneio negativo em 92.447 Euros, provocando grandes dificuldades de liquidez, pelo que esta situação deverá ser rapidamente invertida sob pena de comprometer o normal funcionamento da Associação;

 

¾    Em termos de médio / longo prazo a situação da Associação é bastante mais equilibrada, situação que seria ainda mais vantajosa se considerássemos o valor do edifício. Refira-se contudo que se nada for feito para inverter o desequilíbrio financeiro existente no curto prazo, tendencialmente, o património da Associação irá ser comprometido;

 

¾    Os valores mais significativos do activo detêm um período de vida útil bastante curto e de elevado grau de risco (viaturas).


 

 

4. Considerações Finais

 

O diagnóstico económico-financeiro realizado, permite-nos de forma indubitável concluir que:

 

¾    A Associação apresentou resultados líquidos negativos em 2006;

 

¾    Estes resultados líquidos negativos não resultam de uma situação pontual (ex: realização de investimentos avultados) mas sim do facto de a Associação não estar a gerar receitas que lhe permitam fazer face aos custos da sua estrutura;

 

¾    A Associação apresenta uma situação financeira desequilibrada, apresentando rácios de liquidez muito reduzidos e um fundo de maneio muito negativo.

 

Face ao exposto, é fundamental inverter a tendência de apresentação de resultados negativos, pois a sua manutenção por mais tempo irá absorver os capitais próprios da Associação comprometendo a sua continuidade, o que só é possível através de uma contenção de custos e aumento das receitas.

 

Assim, será necessário efectuar-se uma análise exaustiva aos custos da Associação numa perspectiva de racionalização dos mesmos e fazer-se um esforço no sentido de aumentar as receitas.

 

Consideramos ainda que deverão ser revistos alguns procedimentos administrativos e operacionais de forma a aumentar os índices de eficiência e eficácia da Associação.

 

 

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