BIOGRAFIA DE PESSOAS CÉLEBRES (VIII)

por Adriano Coelho

LUÍS XIV – O “REI SOL”
(5 de Setembro de 1638 – 1 de Setembro de 1715)

Vida pessoal e política - Quando corria o ano de 1643, subiu ao trono de França, quando contava apenas 5 anos, o Rei Luís XIV, cognomizado no seu reinado por "O Grande" ou "Rei Sol". Até à sua maior idade, foi a sua mãe, viúva de Luís XIII, a assumir a regência, sendo o primeiro-ministro o Cardeal Jules Mazarino, que muito contribuiu para uma governação majestática e de imensa opulência real, alimentada por impostos elevadíssimos e os espólios conquistados em muitas vitórias militares contra as vizinhas nações europeias. O Rei Luís XVI fez passar a ideia que os seus súbditos aceitavam sem pestanejar a propalada aura "divina e visível" do "Rei Sol", que lhe dava poder absoluto (quase faraónico) sobre um povo francês oprimido e explorado, que se deixou de rever nos seus nobres, arregalados por quixotismos infecundos (caçadas exibicionistas com os seus adereços de exacerbada luxúria, motivando, veria-se mais tarde, a grande decadência francesa… que viria a projectar-se, já nos finais do séc. XVIII, na famosa (e vingativa) Tomada da Bastilha (primórdio da Revolução Francesa). Os historiadores gauleses salientam que a monarquia que o renomado "Rei Sol" herdou estava infestada de aristocratas rebeldes, que em 40 anos tinham feito 11 guerras civis contra o poder real (pondo em causa o poder de Luís XIII e do seu ministro plenipotenciário Cardeal Richelieu). Para os controlar e tirar veleidades de lhe fazerem frente, Luís "O Grande" ofereceu-lhes lugares na corte, seduzindo-os também com as fortunas saqueadas das casas reais e abrasonadas estrangeiras, submetidas por derrotas militares, sem esquecer a abertura às festas licenciosas que os fidalgos eram livres em organizar, sempre bem regadas e na companhia das "damas da corte". No sumptuoso e grandioso Palácio de Versalhes (começado a construir em 1661), co-habitavam cerca de 300 mulheres, autorizadas a frequentar os aposentos da fidalguia, sendo admitidas depois de inspecção real, para gáudio e satisfação da corte nas suas recepções e orgias baconianas, em que o Rei era pródigo em promover.

Os historiadores dividem o reinado de Luís XIV em três períodos: de 1661 a 1679, ajudado por Colbert (defensor do mercantilismo), impôs a sua autoridade à Igreja, aristocracia e ao mundo financeiro, fundando, não só em Paris, companhias comerciais e manufacturas reais. O aparelho legislativo e administrativo foi reestruturado, recorrendo-se para isso à pressão fiscal. O exército foi reorganizado e reequipado, aumentando significativamente o seu poder de combate na armaria e em tropas arregimentadas. A partir daqui muitos foram os conflitos contra as casas dos Habsburgos. Período de 1679 a 1689: anos do apogeu deste reinado, em que a imensa corte se instalou em Versalhes. Os momentos mais importantes foram a oposição ao Papa Inocêncio XI, a criação da milícia gaulesa, a rivalidade comercial com a Grã-Bretanha e a Holanda. De 1689 até à sua morte, 1715: neste período, a decadência foi-se acentuando nos planos político, económico e militar do reinado de Luís XIV, quando as guerras por si declaradas começaram a ser perdidas; não conseguindo colocar Jaime II no trono da Irlanda e teve de renunciar à herança da coroa da Espanha, atribuída ao seu neto Filipe de Anjou (Filipe V), e as pretensões de domínio de grandes territórios europeus levou-o a tal desgaste que resultou na ruína do Estado francês. O "Rei Sol", que gostava de afirmar: "O Estado sou eu", teve que assinar o Tratado de Utreque (1713), desistindo da hegemonia que o norteava há décadas, pela debilidade e crise económica com que a França se confrontava.

Vida amorosa e sexual – Embora tivesse o rosto marcado por efeito de varíola em criança, Luís era charmoso, espirituoso e apresentava uma bela constituição física.

Foi casado duas vezes, teve inúmeros casos amorosos com mulheres nobres e as servas do palácio, sendo generoso com elas, ignorando qualquer escândalo, ofertando-lhes jóias, propriedades e posição social. Conta-se que se iniciou sexualmente aos 16 anos, quando uma das costureiras da corte se lançou nua nos seus braços, mas o seu primeiro amor teve-o com Marie Mancini, sobrinha de Jules Mazarino, seu reputado conselheiro político. Passados dois anos, a sua mãe mandou sub-repticiamente afastá-la da corte para que o filho pudesse casar com Maria Teresa de Áustria, filha do Rei espanhol. A Rainha nascida em Castela era feiazinha, altamente religiosa, mas determinada a cumprir os seus deveres conjugais, mesmo que tivesse de aceitar a divisão dos seus aposentos com muitas das amantes do Rei. Maria Teresa deu-lhe seis filhos, contudo só um passou da infância. A tolerância da consorte à vida promíscua do marido nunca lhe criou qualquer mágoa ou ciúme, sabendo-se que pediu para ir viver para um convento quando se viu envelhecida e às portas da morte.

Luís desde muito jovem sempre procurou servos que o adulassem, que lhe fizessem companhia durante todo o dia, promovendo e mantendo a sua corte numa festa eterna. Voltaire escreveu na altura, que "ele gostava das mulheres, e esse sentimento era recíproco", comprovando à época o amante infatigável que ele era. O próprio Rei dirigia todos os detalhes do desfile contínuo de caçadas, danças, banquetes e bailes reais, que fizeram da sua corte o centro cultural e recreativo mais afamado e invejado da Europa. Ele gabava-se de conhecer todos os labirintos e passagens secretas do Palácio de Versalhes, que lhe dava azo a visitas às muitas damas que o cortejavam abertamente, encorajadas por pais, mães, familiares e até maridos, que beneficiavam do prestígio desses encontros amorosos, sempre bem prendados pelo "Rei Sol". Na época que Luís estava de romance com a mulher de seu irmão homossexual, apaixonou-se por uma das suas damas, Louise de Valliére, mas pouco tempo depois o seu lugar foi usurpado por uma das suas amigas íntimas, Madame de Montespan, mulher do Príncipe do Mónaco. A inteligência e a sensualidade desta mulher influenciaram-no de tal forma que ela começou a "comandar" a vida social do palácio durante anos. Esta dulcineia real era possessiva e basto ciumenta, que foi acusada que tinha em seu poder uns frasquinhos de veneno, para utilizar com alguma mulher que lhe tentasse tirar Luís "O Grande", além de organizar e participar em "missas negras" (espiritistas). O Rei nunca reconheceu estas acusações, mas dispensou-a da sua cama e da corte… Seguiram-se inúmeros romances curtos, antes de Luís se sentir atraído por Madame Maintenon, viúva do satírico Paul Scarron, aleijado e paralítico dos membros inferiores, murmurando-se entre os amigos mais íntimos, que ele não conseguiu consumar o casamento senão oralmente. Mulher profundamente religiosa, rejeitou no início os pedidos de S. Majestade para se tornar sua amante, mas com a proposta real de cerimónia morganática de casamento, possibilitou a esta mulher ser esposa do Rei sem os direitos e exigências de herança de Rainha. Muito lutou Madame Maintenon em degenerar o marido, enquanto ele satisfazia a sua natureza amorosa e devassa, que, dizem os historiadores, manteve o vigor na cama como fora dela até morrer de gangrena, cinco dias antes de completar 77 anos.

 

 

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